Petição contesta intervenção proposta pelo Governo para Porto Pim, no Faial
29 de ago. de 2025, 17:13
— Lusa/AO Online
“Nós, cidadãos e
cidadãs preocupados, residentes, visitantes e amigos da Horta, vimos por
este meio apelar à defesa do conjunto histórico e paisagístico de Porto
Pim, em especial da zona da Bombardeira, do Reduto da Patrulha e do
Forte de São Sebastião, património classificado e de valor
insubstituível, atualmente em risco devido a intervenções negligentes e
projetos desajustados”, justificam os peticionários.O
abaixo-assinado, que será entregue na próxima semana ao presidente do
parlamento açoriano, Luís Garcia, lembra que a Bombardeira de Porto Pim,
o Forte de São Sebastião e o Reduto da Patrulha, são fortificações
datadas do século XVII, que se encontram classificados como Imóveis de
Interesse Público e que integram também a Paisagem Protegida do Monte da
Guia.“A recente obra na Bombardeira, pela
sua pobre execução, constitui um exemplo flagrante de como o desleixo e
a falta de rigor técnico comprometem o património edificado”, alegam os
peticionários, que se opõem também ao “alarmante” projeto anunciado
pelo Governo Regional para a requalificação da restante zona fustigada
pelo furacão.A secretária regional do
Turismo, Mobilidade e Infraestruturas, Berta Cabral, tinha
apresentado em maio um estudo prévio que previa um investimento de cerca
de três milhões de euros na proteção da orla costeira na zona de Porto
Pim, destinada a proteger as moradias, em caso de galgamentos do mar,
mas também permitir criar uma nova zona balnear, a pensar nos residentes
e nos turistas.“Este tipo de soluções,
além de desrespeitarem o valor patrimonial e paisagístico do lugar,
poderão agravar os efeitos de futuras catástrofes naturais”, refere a
petição, considerando que “não é admissível” que, num local protegido,
se planeiem intervenções deste tipo, "sem o envolvimento da comunidade
científica, dos especialistas em património e dos próprios cidadãos".A
petição, que tem como primeiro subscritor o arquiteto Tomás
Melo, argumenta ainda que o projeto do executivo regional prevê uma
intervenção “desproporcional” naquele local, que inclui a construção de
grandes volumes em betão, com dimensão superior à do património a
proteger, que ignora a escala do local e que “ameaça os equilíbrios
naturais da baía”.“Qualquer intervenção na
área de Paisagem Protegida do Monte da Guia deve privilegiar soluções
baseadas na natureza, podendo, em casos excecionais, ser complementadas
por medidas de defesa costeira, mas nunca causar impactos adicionais à
sensibilidade da zona”, adianta o abaixo-assinado.O
estudo prévio apresentado pelo Governo, elaborado pela empresa
Consulmar, prevê a construção de um enrocamento em pedra, junto à
estrada municipal, alternado com dois patamares de betão, de diferentes
alturas, para ajudar a dissipar as ondas do mar, antes destas poderem
atingir o atual muro de proteção, que separa o mar da estrada e das
moradias mais próximas.Em outubro de 2019,
a forte ondulação provocada pelo furacão Lorenzo, com ondas superiores a
20 metros de altura, galgou o atual molhe de proteção e destruiu a
estrada municipal e várias moradias, obrigando as autoridades a evacuar a
zona por razões de segurança.