Pessoas em níveis elevados de insegurança alimentar aguda aumentam pelo 6.º ano
16 de mai. de 2025, 11:40
— Lusa/AO Online
Este
número representa 22,6% da população analisada e significa o sexto
aumento anual consecutivo, de acordo com o Relatório Global sobre Crises
Alimentares (GRFC) para 2025."Mais
13,7 milhões de pessoas enfrentaram níveis elevados de insegurança
alimentar aguda em comparação com 2023 (…). A prevalência manteve-se em
mais de 20% desde 2020", pode ler-se.De
acordo com o GRFC 2025, a deterioração da insegurança alimentar aguda em
19 países, causada principalmente por conflitos/insegurança na Nigéria,
Sudão e Myanmar (antiga Birmânia), superou as melhorias em outros 15,
incluindo o Afeganistão, o Quénia e a Ucrânia."Estas
melhorias deveram-se às melhores condições económicas e climáticas, bem
como à assistência humanitária", apontaram os autores do relatório.Em
2025, a "intensificação dos conflitos/insegurança, o aumento das
tensões geopolíticas, a incerteza económica global e os profundos cortes
de financiamento estão já a agravar a insegurança alimentar aguda em
alguns países"."É provável que os choques
económicos ressurjam como um dos principais causadores de insegurança
alimentar aguda, uma vez que a economia global — já sobrecarregada pelo
crescimento lento — enfrenta uma grande incerteza", alertam ainda os
autores do GRFC 2025.Um dos exemplos é o
corte da passagem de ajuda humanitária para a Faixa de Gaza no início de
março e o fim do cessar-fogo, ou a manutenção dos conflitos, apesar do
cessar-fogo para permitir os esforços de ajuda após o terramoto em
Myanmar.Ainda no Médio Oriente, o
relatório aponta para a situação ainda delicada no Líbano, devido ao
conflito com Israel, e na Síria, onde a insegurança persiste durante a
transição política em curso."No Iémen, a
assistência alimentar limitada, o colapso económico e o risco de
escassez de combustível e de alimentos provocam uma terrível crise
alimentar, enquanto novas hostilidades afetam as zonas do norte",
alertaram.A tendência do aquecimento
global na Terra deverá manter-se em 2025 e intensificar "as condições
meteorológicas extremas que podem desencadear ou agravar conflitos
baseados em recursos".Na Europa, a Ucrânia
continua a sofrer ataques nas regiões leste, sul e nordeste, com danos
em infraestruturas como redes elétricas e de abastecimento de água, o
que "dificulta severamente a prestação de assistência". "A
devastação dos centros agrícolas e industriais no leste perturbou as
economias urbanas, aumentando a pobreza", pode ler-se no relatório.Em
países da América Latina e Caraíbas o relatório aponta para o
"agravamento da insegurança e do declínio económico no Haiti e o
conflito na Colômbia", que devem continuar a ser os principais fatores
em 2025. "Os défices de chuva e as
condições mais quentes e secas ameaçam a América Central e o nordeste da
América do Sul, representando riscos para a produção agrícola, a
disponibilidade de alimentos e os meios de subsistência em toda a
região", acrescentam.Na Ásia, o estudo
aponta que "os extremos climáticos continuem a ser um dos principais
causadores dos elevados níveis de insegurança alimentar aguda", com
potencial impacto adverso na produção agrícola e agravamento da situação
económica cada vez mais frágil.A redução
das doações e o fim abrupto do financiamento em 2025 afeta as operações
humanitárias, com os autores do relatório a sublinharem que os "serviços
de nutrição para pelo menos 14 milhões de crianças estão em risco,
deixando-as vulneráveis à subnutrição aguda grave e à morte".