Pescas reivindicam compensação aos sobrecustos de energia e matérias-primas
5 de mai. de 2023, 05:54
— Paula Gouveia
A Federação das Pescas dos Açores, a Associação de Produtores de Atum e
Similares dos Açores e a Associação Pão do Mar reivindicam que seja
aplicado pelo Governo Regional um regime de compensação aos sobrecustos
de energia e matérias-primas resultantes da guerra na Ucrânia, à
semelhança do criado pelo Ministério da Agricultura e Alimentação para o
território continental.De acordo com o presidente da Federação das
Pescas dos Açores, Gualberto Rita, a portaria do Ministério da
Agricultura e Alimentação, com data de 3 de abril, introduz medidas que,
embora não permitam “a compensação integral dos sobrecustos causados
pela abrupta subida de preços das matérias-primas, permitem, ainda
assim, mitigar este impacto”, mas o diploma “serve apenas o território
continental”.E, segundo o representante dos profissionais da Pesca
nos Açores, o Governo Regional da Madeira está a preparar a publicação
de um diploma nesse sentido para vigorar naquela região autónoma. Gualberto
Rita alerta por isso que, e se nos Açores o mesmo não for feito, serão
agravados os problemas de competitividade com que o setor da Pesca já se
confronta atualmente. Reivindica-se assim que o Governo Regional crie
um regime de apoio que seja dotado de uma verba de cerca de 3,5 milhões
de euros para compensar os operadores do setor na Região destes
sobrecustos.A reivindicação já foi apresentada ao Governo Regional a
17 de abril, mas até ao momento não houve resposta do executivo, algo
que a Federação estranha.Nos Açores, “são conhecidos os problemas de
competitividade da indústria da pesca e da transformação de pescado, o
que, inclusivamente, leva a que exista ao nível do FEAMP - Fundo Europeu
dos Assuntos Marítimos e das Pescas um programa destinado à compensação
dos sobrecustos emergentes da ultraperiferia (POSEI)”, diz Gualberto
Rita. E “o aumento anormal dos preços da energia e das matérias-primas
afeta a generalidade da economia nacional, mas afeta mais a economia da
Região”, sendo que a indústria da produção e da transformação de
produtos de pesca e a aquicultura estão “particularmente expostas” a
estes sobrecustos, sublinha o presidente da Federação das Pescas dos
Açores.“Nós já fomos abrangidos por um apoio, neste caso a produção,
de 1 ME, tal como foi a nível nacional, mas com o consecutivo aumento
que tem havido nas matérias-primas, a nível nacional foi criada a
hipótese de recorrer a um fundo de 23,5 milhões de euros, e na Madeira
foi feito o concurso para apoiar os armadores”.“Consideramos injusto
que os nossos colegas pescadores e armadores, a nível nacional e
madeirenses, possam ter hipótese de recorrer a estes fundos, e os
armadores açorianos não terem” essa possibilidade, quando os fundos
estão disponíveis no âmbito do FEAMP, afirma o presidente da Federação
das Pescas.