Pescadores queixam-se do mau funcionamento das gruas na Praia da Vitória
23 de jul. de 2025, 09:47
— Maria Andrade
Pescadores e proprietários de embarcações de recreio da Praia da Vitória
manifestam crescente insatisfação com o funcionamento deficiente das
gruas instaladas nos portos das freguesias do município. Estas
estruturas, fundamentais para a colocação e retirada das embarcações da
água, têm registado falhas recorrentes e períodos de inatividade,
afetando gravemente a atividade marítima local.De acordo com as
queixas relatadas ao Açoriano Oriental, os equipamentos encontram-se
frequentemente inoperacionais ou apresentam anomalias técnicas que
inviabilizam a sua utilização em segurança. As situações relatadas
referem-se principalmente às gruas dos portos do Cabo da Praia e Porto
Martins onde as avarias são descritas como “repetidas” e a assistência
técnica “lenta e ineficaz”.No caso da grua dos Biscoitos, a mesma
encontra-se inoperacional devido a uma avaria técnica relatada à empresa
há já algum tempo.“Esta situação é de transtorno ainda maior quando
o equipamento está inoperativo para sair da água, uma vez que o
contacto de apoio técnico presente na grua grande parte das vezes não
atende as chamadas e quando atende não se mostra disponível para
resolver a situação no próprio dia e a única solução passa por procurar o
porto mais perto e rezar para que a grua esteja operacional”, relatam
os pescadores da zona da Praia da Vitória.Para além dos problemas
técnicos, existem também críticas à falta de controlo na utilização das
gruas, que são acessíveis a qualquer pessoa, independentemente de
possuir ou não uma embarcação ou formação técnica adequada.Os
pescadores defendem que esta ausência de fiscalização contribui para
danos nos equipamentos, agravando ainda mais o seu estado de
conservação. Para os mesmo a solução passa por “restringir o uso destes
equipamentos a quem tiver formação técnica, através de acesso controlado
por chave. E criar uma linha de apoio que fosse realmente uma linha de
apoio e não um contacto que não se mostra disponível para resolver o
assunto”.O jornal deslocou-se à zona da grua do Cabo da Praia para
testemunhar a situação. Quando chegou ao local, a equipa técnica já se
encontrava a realizar a manutenção desta grua.Contactada pelo
Açoriano Oriental, a Lotaçor confirmou que as gruas em questão são da
jurisdição da empresa desde janeiro de 2024. Reinaldo Arruda, vogal
executivo da Lotaçor, admite que as anomalias técnicas do Cabo da Praia e
Porto Martins foram reportadas ontem de manhã (terça-feira). “Nós estamos em cima do
acontecimento e estamos já a resolver”, afirmou.Quanto à situação
da grua dos Biscoitos responde que a Lotaçor já teve a oportunidade de
falar pessoalmente com todos os utilizadores dessa grua. “A Lotaçor
existe para servir, em primeiro lugar, a pesca. Temos zero pescadores
nos Biscoitos, não há pescadores lá, e, portanto não é uma prioridade
para a Lotaçor, mas, no entanto, estamos a resolver. A previsão é de que
nos próximos dias vamos reinstalar a grua que teve uma avaria técnica”,
disse.Em termos de manutenção, Reinaldo Arruda admitiu que o último
ano se revelou particularmente exigente para a Lotaçor, que enfrentou
custos elevados com a conservação dos seus equipamentos. Só com a
manutenção das gruas, que transitaram recentemente para a sua
responsabilidade, a empresa registou um encargo de cerca de 840 mil
euros.Apesar dos constrangimentos financeiros e técnicos, afirma que
a gestão tem procurado responder da melhor forma possível aos desafios,
numa realidade que se tem revelado complexa para todos os envolvidos.Para
evitar os problemas associados à falta de controlo na utilização das
gruas, a Lotaçor afirma já ter desenvolvido um sistema de controlo.
“Esse sistema consiste numa caixa eletrónica que funciona com um sistema
de chamada. Depois de devidamente registado, o pescador liga para a
Lotaçor através da caixa e, se estiver devidamente registado,
desbloqueia a grua. Numa segunda fase estará um pagamento associado a
isso”, explicou ao AO.O sistema já se encontra em testes no porto de
Rabo de Peixe e, de acordo com Reinaldo Arruda, o objetivo é que, nos
próximos dois ou três meses o equipamento já esteja em todos os portos
da região.