Pescadores pedem demissão do secretário das pescas, Governo desvaloriza
26 de ago. de 2025, 16:51
— Lusa/AO Online
O Governo Regional desvaloriza as críticas e promete reunir com os pescadores.“É
isso que eu tenho a dizer ao Governo Regional. Que o demita [Mário Rui
Pinho] o mais rápido possível para que as pescas andem para a frente.
Não andam para a frente por causa do secretário das Pescas que temos”,
acusou Paulo Melo, presidente da Direção da Associação Terceirense de
Armadores, em declarações aos jornalistas.O
armador terceirense reagia assim às críticas feitas por Mário Rui
Pinho, que não gostou de ver os pescadores daquela ilha a devolverem ao
mar dezenas de exemplares de alfonsim, capturados acidentalmente, e
rejeitados por já não existir quota suficiente atribuída para a captura
daquela espécie.“Há um documento assinado
pela Secretaria Regional das Pescas que diz que é proibido a gente ter
aquele peixe a bordo. Já tivemos aqui vários barcos que tiveram
multas!”, disse Paulo Melo, que acusa o titular da pasta das Pescas nos
Açores, de estar a “mentir”.O governante,
que já tinha afirmado que os pescadores terceirenses estavam a fazer uma
má gestão da quota atribuída à sua ilha, e que pareciam estar a “pedir”
para serem autuados pela Inspeção Regional das Pescas (IRP),
desvaloriza agora as críticas dos armadores e garante que vai reunir com
o setor.“Desvalorizamos aquilo que são as
palavras que vêm do senhor presidente da associação. O importante aqui é
trabalhar para a solução do problema”, disse Mário Rui Pinho,
adiantando que irá, em breve, deslocar-se à ilha Terceira para reunir
com os armadores, “para explicar, pessoalmente, este problema”.O
secretário regional do Mar e das Pescas lembra que foi a União Europeia
quem determinou a aplicação de quotas e taxas para as várias espécies
de peixe que são capturadas nos Açores, e que ao Governo Regional
compete apenas gerir as quotas, em parceria com as associações de pesca.“Esta
questão do alfonsim, é uma questão muito complexa!”, advertiu o
governante, admitindo que a captura desta espécie não é de fácil gestão
no arquipélago, e que necessita de ser devidamente esclarecida entre os
vários intervenientes do setor.Os
pescadores terceirenses lembram, porém, que há ainda cerca de 80
toneladas de peixe que estão por capturar nas restantes ilhas do
arquipélago, que no seu entender, deviam ser repartidas por aqueles
profissionais que já não podem capturar mais, por terem atingido o seu
limite de quota.“Temos quota suficiente
nos Açores para trabalhar! Apenas e só, não há consenso entre as ilhas. A
gente só pede que o Governo Regional intervenha neste ponto”, sugere
Edgar Pimentel, um dos pescadores terceirenses, ouvido pelos
jornalistas.Os pescadores e armadores da
ilha Terceira queixam-se de estarem a ter uma “brutal quebra de
rendimento” por não poderem exercer a atividade, por terem esgotado a
sua quota de alfonsim e de goraz, e alguns dos profissionais da pesca
alegam já terem abandonado a atividade e requerido o fundo de
desemprego.