Pescadores dos Açores pedem mais meios financeiros para evitar desgraça do setor
9 de jan. de 2025, 09:35
— Lusa/AO Online
Num relatório a que a agência
Lusa teve acesso, onde a FPA faz o balanço de 2024 e perspetiva 2025, a
organização representativa dos pescadores açorianos considera “urgente
tomar medidas”, avisando que o setor poderá estar a “caminho do abismo e
da desgraça”.“São necessários mais meios
financeiros, por isso solicitamos ao Governo [dos Açores] que reveja o
Orçamento regional de forma a garantir estabilidade no setor”, lê-se no
documento.A FPA considera “agoniante” e
“angustiante” os discursos de alguns membros da classe política em
relação às pescas e defende a necessidade de “dar mais oxigénio para que
o setor possa respirar sem estar ligado à maquina”.“O
Plano e Orçamento da Região Autónoma dos Açores para 2025 não reúne as
condições necessárias que garantam a estabilidade da atividade do setor
da pesca nos Açores e colocam em causa a sustentabilidade económica e
social, da produção, comercialização e indústria", avisa.A
federação defende a criação de incentivos para quem ingresse no setor e
compensações devido à implementação em 30% de áreas marinhas
protegidas, como reformas antecipadas, apoio aos abates ou o
direcionamento da frota para “atividades emergentes”.A
FPA reivindica, também, a realização de um estudo socioeconómico devido
ao impacto do alargamento das áreas marinhas protegidas, aprovado em
outubro de 2024 no parlamento açoriano sob proposta do Governo dos
Açores.“Esperamos que
haja uma reflexão mais profunda e fundamentada sobre a forma como se
pretende enfrentar os desafios que o futuro coloca ao setor das pescas
nos Açores, como por exemplo as áreas marinhas protegidas”, insiste.A
FPA avisa que as pescas estão a “enfrentar o maior desafio de todos os
tempos” e defende uma “real equidade na distribuição dos rendimentos”
que contribua para a “dignificação da profissão de pescador e da coesão
social”.“O maior desejo do setor para o
ano 2025 e anos sequentes, porque não pode ser concretizado só num ano,
será tornar este setor o mais independente possível da economia do
Estado, mais autónomo em decisões a tomar, mas o que se assiste é cada
vez mais apertar o garrote”, lê-se no relatório.A
organização revela não estar a prever um “aumento positivo nas capturas
e no rendimento” em 2025 devido à reestruturação do setor, às
alterações climáticas, às algas invasoras, à diminuição das quotas da
pesca e à falta de mão-de-obra.A FPA
sinaliza ainda que 2024 foi um “ano difícil” para os pescadores face ao
aumento dos custos de produção e à insuficiência dos apoios para o
setor.“Os apoios do FEAMPA [Fundo Europeu
dos Assuntos Marítimos, das Pescas e da Aquicultura] voltam a estar
aquém das expectativas em algumas áreas, nomeadamente naquilo que se
refere ao apoio à modernização da frota”, sublinha a federação.A FPA agrupa as 16 associações da pesca das nove ilhas dos Açores.