Pescadores dos Açores afirmam ter recuado 20 anos em termos de rendimento

20 de jan. de 2014, 18:44 — Lusa/AO Online

  “A direção da Porto de Abrigo analisou a evolução da situação da pesca açoriana durante 2013 e constata a enorme degradação do setor resultante da quebra de rendimentos, mais de 2,6 milhões de euros em 2013 e 5,5 milhões nos últimos anos, desde 2010”, referiu Liberato Fernandes, em conferência de imprensa realizada em Ponta Delgada. Liberato Fernandes reivindica a necessidade de serem ouvidas as associações do setor, “com urgência”, pelo Governo dos Açores, face à “grave situação”. O dirigente da cooperativa, que defende a convocação do Conselho Consultivo Regional das Pescas, organismo que não reúne desde 2010, especifica que “o valor bruto da primeira venda de pescado em 2013 foi de 34.062.357 euros, o que corresponde a uma quebra de 2.676.605 relativamente a 2012”. Liberato Fernandes salvaguarda, contudo, um aumento no volume de capturas superior a mil toneladas, frisando que “esta quebra de rendimento é a mais acentuada dos últimos quatro anos”. “Há uma perda de valor de quase oito por cento no último ano, enquanto a perda acumulada entre 2010 e 2013 é de 14 por cento”, sublinha Liberato Fernandes. O dirigente associativo refere que “a situação de extrema penúria em que vive o setor extrativo da pesca é tanto mais dramática" se for levado em conta "o aumento dos custos de produção suportados por todo o setor durante igual período de tempo: no gasóleo pescas o aumento oscila entre os 20 e os 25 por cento”. O presidente da Porto de Abrigo aponta que o setor das pescas tem vindo a “assistir ao aumento de milhares de trabalhadores desempregados que, originários das comunidades, trabalhavam desde há muito noutros setores da economia, particularmente na construção civil”. “A gravidade da situação da pesca é conhecida e as causas da situação estão suficientemente identificadas. É possível adotar medidas que atenuem os efeitos da crise imediatamente, fazendo o setor reentrar num ciclo de desenvolvimento”, considera. Liberato Fernandes manifesta “total acordo com a imediata implementação do Fundopesca [fundo que compensa os pescadores quando ficam impedidos de exercer a faina] manifestada por responsáveis sindicais e por entidades como a Federação de Pesca”.