Perto de uma centena de réplicas desde o sismo de terça-feira

Hoje 11:33 — Lusa/AO Online

Um sismo de magnitude 5,1 na escala de Richter foi sentido na terça-feira, às 18h07 nas ilhas de São Miguel, Santa Maria e Terceira, não causando vítimas ou danos materiais.Em declarações à agência Lusa, Rita Carmo, investigadora e membro da direção do CIVISA, disse que desde o sismo maior já foram registadas, até cerca das 10h00 desta quarta-feira, “quase uma centena de réplicas, todas de magnitude inferior, sendo que algumas com magnitude superior a 3 na escala de Richter foram sentidas pela população”.“A situação está a ter tendência para estabilizar, mas ainda poderá demorar até atingir o novo equilíbrio”, sublinhou Rita Carmo. Ainda segundo a investigadora, "durante a noite a tendência foi de uma diminuição na atividade sísmica, como é natural nestas circunstâncias", mas alertou que "esta situação pode demorar ainda algum tempo até que o sistema encontre a sua estabilidade", pelo que "podem ocorrer novamente sismos sentidos pela população".A investigadora disse à agência Lusa que são eventos comuns numa Região como o arquipélago dos Açores, onde “a atividade sísmica é frequente”.A situação em causa ocorre numa zona designada por Fossa Hirondelle, uma depressão submarina no Oceano Atlântico, localizada nos Açores entre as ilhas de São Miguel e Terceira."É uma bacia deprimida que está delimitada por falhas tectónicas e a localização dos sismos é precisamente numa dessas estruturas tectónicas que limita essa Fossa Hirondelle", explicou a responsável, assinalando que "é natural que os sistemas tendam a responder às novas condições da evolução normal da dinâmica das placas".Rita Carmo disse ainda que "não é invulgar que numa situação de sismos, mesmo de origem tectónica, as réplicas possam atingir magnitudes semelhantes, ou quase semelhantes, às do sismo principal", referindo que "existem vários exemplos a nível mundial"."Não podemos prever que ocorra um sismo com a mesma magnitude do sismo principal, mas é uma situação que não podemos descurar", pelo que "as pessoas devem ter bem presentes as medidas de autoproteção relacionadas com fenómenos sísmicos", vincou Rita Carmo.