Uma delegação de três subscritores do ‘Manifesto pelo desenvolvimento
humano e por uma ideia de futuro na Região Autónoma dos Açores’,
publicado em janeiro do corrente ano, vai reunir-se hoje com o
Representante da República para os Açores, no Solar da Madre de Deus, em Angra do Heroísmo, ilha Terceira. Para além de apresentar este
documento a Pedro Catarino, pretendem remeter o mesmo ao Presidente da
República, Marcelo Rebelo de Sousa.O grupo constituído por José
Henrique Ornelas, Maria João Vargas-Moniz e Joel Neto visa
“sensibilizar para os devastadores índices de desenvolvimento humano em
vigor na Região”.“O que nós pretendemos é sobretudo alertar as
instituições, nomeadamente a presidência da República e os titulares dos
cargos políticos”, explica, em declarações ao Açoriano Oriental, Joel
Neto, um dos autores do manifesto, a par de José Henrique Ornelas e João
de Melo.Para o escritor açoriano, o motivo de alerta está
relacionado com a “emergência humana que se vive neste momento nos
Açores” e “que não se deixou de viver em resultado do facto de termos
emitido um manifesto e de ele ter desagradado a tanta gente no passado
mês de janeiro”, aponta.Apesar de admitir que houve algumas
“notícias positivas” do ponto de vista da educação, Joel Neto realça que
“ainda assim”, os Açores “continuam muito longe dos indicadores
nacionais de abandono escolar precoce” e que nos “mais de 40 índices de
desenvolvimento humano em que os Açores lideram”, a “situação mantém-se
exatamente a mesma” ou até é “pior” em alguns casos.Por esse
motivo, salienta que existe uma “absoluta indiferença das elites
açorianas em relação aos princípios da equidade e da justiça, e ao valor
da mobilidade social, da autonomia da pessoa e da liberdade individual,
que tem de ser promovida nos Açores”.Questionado sobre o que
pretende alcançar junto de quem tem poder para efetivamente mudar esta
situação, o coautor do manifesto indica que, mais do que sensibilizar,
“é preciso chocar quem está no poder”.“Enquanto os titulares dos
cargos políticos não se chocarem com essa situação e não tiverem
vergonha da sua absoluta indiferença a esta situação durante tantos
anos, e aliás durante tantas décadas, eles não vão mudar a conduta no
que diz respeito a esta situação”, sustentou o escritor açoriano.Tratam-se
de muitos problemas “que são estruturais” e de outros que “estão a
caminho de serem estruturais, mas que inclusive são reforçados com
decisões conjunturais”, afirma.Nesse sentido, dá o exemplo em
particular do número de pessoas institucionalizadas que “se verifica nos
Açores, como não se verifica em mais nenhum ponto no país ou sequer na
Europa”.Referindo-se à ilha Terceira em particular, diz que há mais
pessoas internadas “por doença mental”, ou por “escassez de cuidadores
na família”, do que em qualquer “outro território a nível Europeu: É
qualquer coisa de absolutamente chocante”, frisa.“São pessoas que
estão condenadas à partida, porque estão institucionalizadas, não têm
qualquer possibilidade de reencontrar o caminho da liberdade individual e
da autonomia”, acrescenta Joel Neto.Recorde-se que o ‘Manifesto
pelo desenvolvimento humano e por uma ideia de futuro na Região Autónoma
dos Açores’ contou com a subscrição de 21 personalidades subscritoras,
numa lista de escritores, jornalistas, professores universitários,
médicos ou artistas na sua maioria açorianos e a residir na Região, no
continente ou na diáspora.