Peritos no Canadá recomendam intervalo de quatro meses para nova dose da vacina
Covid-19
4 de mar. de 2021, 17:43
— Lusa/AO Online
Várias províncias disseram que o fariam.O
primeiro-ministro, Justin Trudeau, também expressou o seu otimismo,
enquanto o regulador da saúde no país afirmou que as provas emergentes
sugerem uma elevada eficácia durante várias semanas após a primeira
dose, divulgando a recomendação do painel numa publicação na rede social
Twitter. Contudo, dois responsáveis de saúde de topo classificaram esta hipótese como uma experiência.O
protocolo atual estabelecido pelo Governo canadiano é de um intervalo
de três a quatro semanas entre doses para as vacinas Pfizer e Moderna e
de quatro a 12 para a AstraZeneca. A Johnson & Johnson é uma vacina
de uma dose, mas ainda não foi aprovada no Canadá.O
Comité Consultivo Nacional de Imunização disse que o alargamento do
intervalo entre doses para quatro meses permitiria a 80% dos canadianos
com idade superior a 16 anos receberem uma única dose até ao final de
junho, simplesmente com o fornecimento esperado de vacinas
Pfizer-BioNTech e Moderna.As segundas
doses começariam a ser administradas em julho, à medida que mais
remessas chegassem, disse o painel, observando que se espera que 55
milhões de doses sejam entregues em julho, agosto e setembro.Em comparação, o Governo federal afirmara anteriormente que 38% das pessoas iriam receber duas doses até ao final de junho."Eles
estão a fazer, penso eu, um cálculo razoável, numa altura de escassez
de medicamentos", disse o professor de doenças infecciosas na
Universidade de Toronto e diretor médico do Programa de Gestão
Antimicrobiana na Sinai-University Health Network, Andrew Morris. "É
a decisão certa para mim. Deixem-me perguntar ... A um casal são dadas
duas vacinas. Dão duas a um, ou dão uma dose a cada um? Não há
discussão", defendeu.A adição da recém
aprovada vacina AstraZeneca ao fornecimento do país pode significar que
quase todos os canadianos receberiam a primeira vacina nesse período de
tempo."A eficácia da primeira dose será
acompanhada de perto e a decisão de adiar a segunda dose será
continuamente avaliada com base em dados de vigilância e eficácia e
desenhos de estudos pós-implementação", escreveu o painel."A
eficácia contra variantes preocupantes será também acompanhada de
perto, e as recomendações poderão ter de ser revistas", salientou,
acrescentando que não há atualmente provas de que um intervalo mais
longo irá afetar o aparecimento das novas estirpes.A orientação atualizada aplica-se às três vacinas atualmente aprovadas para utilização no Canadá.A
recomendação da comissão de peritos chegou horas depois de a província
da costa atlântica da Terra Nova e Labrador ter dito que iria alargar o
intervalo entre a primeira e a segunda dose para quatro meses, e dias
depois de as autoridades sanitárias da província da Colúmbia Britânica,
na costa do Pacífico, terem anunciado que o estavam a fazer.Manitoba
e Québec também disseram na quarta-feira que vão adiar as segundas
doses. E o ministro da saúde do Ontário disse que aquela província iria
acelerar rapidamente o lançamento de vacinas.Anteriormente,
Trudeau disse que qualquer alteração nas orientações de saúde pública
relativamente ao calendário das duas doses poderia afetar a velocidade
de lançamento da vacina no Canadá, assim como a aprovação de mais
vacinas, como a da Johnson & Johnson.As
províncias canadianas administram os cuidados de saúde no país, pelo
que, em última análise, é às províncias que compete a decisão.O
vice-presidente executivo de ciência e investigação da University
Health Network, Brad Wouters, lançou dúvidas sobre a recomendação. "Ninguém
no mundo esperou quatro meses entre doses", sublinhou. "Estas são
vacinas RNA nunca antes utilizadas. Deveríamos utilizar provas para
tomar decisões. O Canadá está a conduzir uma experiência populacional",
publicou Wouters no Twitter.A Conselheira
Científica Principal do Governo federal, Mona Nemer, também sustentou
esta semana que o plano equivale a uma "experiência a nível
populacional" e que os dados fornecidos até agora pela Moderna e pela
Pfizer-BioNTech se baseiam num intervalo de três a quatro semanas entre
as doses.Contudo, a oficial de saúde da
província de Colúmbia Britânica, Bonnie Henry, argumentou que os
fabricantes estruturaram os seus ensaios clínicos dessa forma para
colocar as vacinas no mercado o mais rapidamente possível, mas que a
investigação realizada nas províncias canadianas da Colúmbia Britânica e
Québec, bem como em Israel e no Reino Unido, mostrou que as primeiras
doses são altamente eficazes.A consultora
médica chefe da Health Canada, Supriya Sharma, sustentou que, num
período de fornecimento limitado, em países que atrasaram a segunda
dose, começa a ver-se provas de que se mantém "uma eficácia realmente
boa". "Temos estudos de laboratório que mostram que é improvável que a resposta imunitária venha a diminuir", concluiu Sharma.