Peritos da Ordem encontraram indícios de práticas ilícitas na vendas de produtos no BES e Banif
9 de dez. de 2019, 15:03
— Lusa/AO Online
Segundo o presidente da comissão de peritos
independentes para os lesados do Banif, Alexandre Jardim, os produtos
elegíveis para uma solução de compensação “dizem respeito a práticas
identificadas como não estando conformes como direitos e deverdes de
intermediação financeira”.Questionado sobre se estavam em causa práticas ilícitas, o responsável disse que foram identificados “indícios”.“A
comissão não concluiu que violaram a lei, concluiu que houve indícios
de práticas lesivas” para os clientes, disse, referindo que verificaram
que se tratam de produtos não adequados aos clientes em causa e em que
clientes não estavam informados dos riscos associados.Também
o presidente da comissão de peritos da Ordem dos Advogados para o BES,
Vítor Pereira das Neves, considerou terem encontrado indícios de
"violações reiteradas" dos deveres de intermediação financeira."A
violação de deveres de intermediação financeira que encontrámos assenta
em duas ideias fundamentais. Primeiro, sendo títulos de dívida emitidos
pelo Grupo Espírito Santo quando a informação sobre a solidez do grupo
não corresponde à realidade; segundo, estes produtos manifestamente não
são adequados aos investidores a quem foram vendidos", afirmou.Já sobre eventual responsabilidade criminal, o advogado disse que não coube à comissão que liderou avaliá-la.A
comissão de peritos da Ordem dos Advogados para o BES anunciou hoje, em
conferência de imprensa, que há 1.264 pedidos de reclamação de créditos
de lesados das sucursais exteriores e do Banque Privée elegíveis para
uma solução que os compense, correspondente a cerca de 300 milhões de
euros de investimento. Contudo, há mais 37 pedidos que ainda podem ser considerados elegíveis, o que aumentaria o valor eventualmente a recuperar.Já
a comissão de peritos da Ordem dos Advogados para os lesados do Banif
informou, por seu lado, que há 2.330 pedidos de reclamação de créditos
com condições para serem elegíveis para uma solução.Os
lesados do Banif que apresentaram reclamações junto da Ordem dos
Advogados têm investimentos de 250 milhões de euros, sendo, para já,
elegíveis 230 milhões de euros.Além dos
relatos dos clientes que se consideram lesados, as comissões contaram
com depoimentos dos funcionários dos bancos que venderam os produtos
financeiros que levaram os clientes a perderem dinheiro nas resoluções
do BES (2014) e do Banif (2015).