Perímetros de ordenamento agrário dos Açores vão definir vocação produtiva
30 de mar. de 2021, 11:39
— Lusa/AO Online
Em
declarações à Lusa, António Ventura referiu que os perímetros de
ordenamento agrário (POA) da região “vão ter uma nova definição, uma
vocação produtiva”.O executivo vai lançar
“um apelo, através de fundos comunitários, apoios e incentivos fiscais,
para [promover] uma vocação produtiva, porque não há ilhas iguais – e
até não há concelhos iguais” – e, por isso, é preciso perceber, “em cada
perímetro de ordenamento agrário, em termos de condições
edafoclimáticas, qual é a produtividade mais ajustada”, concretizou.A
ideia é criar as condições para que haja diversificação da produção,
sem que “exista excesso, nem défice”, prosseguiu o governante.O
responsável falava à Lusa, por telefone, depois de ter firmado dois contratos que preveem a realização de estudos para a criação do POA
de São Mateus/Luz, na ilha da Graciosa, bem como a requalificação da
lagoa do Caldeirão Grande, nas Sete Cidades, em São Miguel.Assim que for implementado, o POA de São Mateus/Luz será o 17.º dos Açores e terá uma área de cerca de 800 hectares.Com
a criação deste perímetro, serão estudadas as “intervenções ao nível do
abastecimento de água, eletrificação e de caminhos agrícolas”, para que
baixem “os custos de produção para quem produz naquela zona”, explicou
António Ventura.Mas a prioridade numa ilha que é frequentemente atingida pela seca é o “abastecimento de água para o futuro”.Para
tal, serão construídas reservas próprias para o abastecimento agrícola,
através da captação de água das chuvas, porque “o abastecimento de água
para os animais não pode competir com o abastecimento de água para as
pessoas”, afirmou o secretário regional.Quanto
à intervenção na lagoa do Caldeirão Grande, o titular da pasta da
Agricultura e Desenvolvimento Rural esclareceu que aquela estrutura
ficou danificada devido ao mau tempo e que o Governo Regional vai
aproveitar a intervenção de recuperação para “aumentar a abrangência do
abastecimento de água”.O objetivo é
aumentar a capacidade daquela reserva que serve a bacia leiteira de
Ponta Delgada, que passa a servir uma área de 33 quilómetros, face aos
16 quilómetros que abastece atualmente, num investimento que se estima
que ascenda a um milhão de euros.António
Ventura espera que tanto a intervenção nas Sete Cidades, como as que
serão necessárias na Graciosa, possam estar terminadas antes do final de
2022, para “utilizar as verbas do período de transição” do quadro
comunitário, antes da entrada do novo período de financiamento, em 2023.Para
assegurar o abastecimento de água aos agricultores de Ponta Delgada
“nestes dois verões, tempos críticos em termos de água, o IROA
[Instituto Regional de Ordenamento Agrário] irá estabelecer um protocolo
com os Serviços Municipalizados” do município.