Perda total de olfato é sintoma, dizem médicos franceses
21 de mar. de 2020, 18:15
— LUSA/AO online
Os sintomas que frequentemente aparecem associados ao coronavírus SARS-CoV-2 são febre, tosse e dificuldades respiratórias.Contudo,
na sexta-feira, a rede de otorrinolaringologistas franceses alertou
para o aumento de casos de anosmia (perda total do olfato) entre doentes
com covid-19.A ausência de olfato
foi descrita por vários doentes, em França, como tendo surgido de forma
isolada ou ligada aos sintomas habituais da covid-19, doença que pode
provocar infeções respiratórias como pneumonia.Segundo
o presidente do Conselho Nacional Profissional de Otorrinolaringologia
de França, Jean-Michel Klein, "há uma ligação evidente" entre a perda de
olfato e o SARS-CoV-2.Jean-Michael
Klein sublinhou que "nem todos os casos positivos" de covid-19
apresentam anosmia, mas "todos os anosmáticos isolados, sem causa local
ou inflamação, são casos positivos" de covid-19.Regra geral, a perda total de olfato está associada a uma lesão no nervo olfativo.Na
sexta-feira, num balanço diário da situação epidemiológica, o
diretor-geral da Saúde francês, Jérôme Salomon, ressalvou que se trata
de um sintoma "bastante raro" e "geralmente" observado nos mais jovens,
que têm as formas "menos severas" da doença covid-19.Jérôme Salomon aconselhou que, em caso de perda total de olfato, as pessoas contactem o seu médico e evitem automedicarem-se.Por
precaução, as pessoas com anosmia devem estar confinadas em casa e usar
máscara, recomendou o presidente do Conselho Nacional Profissional de
Otorrinolaringologia francês, Jean-Michael Klein.O
novo coronavírus, responsável pela pandemia da covid-19, já infetou
mais de 271 mil pessoas em todo o mundo, das quais pelo menos 11.401
morreram.Depois de surgir na China, em
dezembro, o surto espalhou-se já por 164 países e territórios, o que
levou a Organização Mundial da Saúde a declarar uma pandemia.O
continente europeu é o que regista o maior número de casos, com a
Itália a ser o país do mundo com maior número de vítimas mortais, com
4.032 mortos em 47.021 casos. Segundo as autoridades italianas, 5.129
dos infetados já estão curados.A Espanha regista 1.326 mortes (24.926 casos) e a França 450 mortes (12.612 casos).Os
países mais afetados a seguir à Itália e à China são o Irão, com 1.556
mortes num total de 20.610 casos, a Espanha, com 1.236 mortes (24.926
casos), a França, com 450 mortes (12.612 casos), e os Estados Unidos,
com 260 mortes (19.624 casos).A China, sem
contar com os territórios de Hong Kong e Macau, onde a epidemia surgiu
no final de dezembro, conta com um total de 81.008 casos (32 são novos
casos registados entre sexta-feira e hoje), tendo sido registados 3.255
mortes (sete novas) e 71.740 pessoas curadas.Vários países adotaram medidas excecionais, incluindo o regime de quarentena e o encerramento de fronteiras.Em Portugal, há 12 mortes e 1.280 infeções confirmadas.O número de mortos duplicou hoje em relação a sexta-feira e registaram-se mais 260 casos no mesmo período.Portugal encontra-se em estado de emergência até 02 de abril.O Governo declarou na terça-feira o estado de calamidade pública para o concelho de Ovar.