Perda de biodiversidade põe em causa sobreviência humana
19 de out. de 2024, 10:33
— Lusa
Há cientistas
que dizem que essa oportunidade, de reverter o declínio biológico do
oceano, criando uma reserva, vai até 2030/50, lembrou. Será
uma reserva de 30% das áreas marinhas protegidas, para que se consiga
manter “um mínimo de natureza dos oceanos” e para que no planeta se
chegue ao fim do século com a capacidade “de manter vivos os sistemas de
suporte de vida no planeta sem os quais grande parte da vida
desaparece”.Os alertas de Tiago Pitta e
Cunha surgem a propósito da próxima cimeira mundial sobre a
biodiversidade, a COP16, que começa na segunda-feira em Cali, na
Colômbia, e que durante 10 dias deverá desenvolver os mecanismos para
preservar 30% do planeta até 2030.A
cimeira acontece quase dois anos depois da reunião realizada no Canadá
(COP15), na qual foi adotado um acordo global de proteção da
biodiversidade, o chamado Quadro Global de Biodiversidade de
Kunming-Montreal (QGBK-M), assinado por 190 países e que contempla a
gestão eficiente de 30% das áreas terrestres, águas interiores,
costeiras e marinhas do mundo, até 2030.Atualmente
só cerca de 17% das áreas terrestres e 08% das marinhas estão
legalmente protegidas, mas é consensual que especialmente as áreas
marinhas são muitas vezes protegidas apenas no papel.Em
declarações à Lusa o responsável, no que considerou uma análise
realista, disse que gostaria que os 08% passassem para 15% em 2026, e
que em 2028 fossem mais de 20%, até 25%.Se
em 2030 não estiverem os 30% mas houver uma “rota de aproximação muito
rigorosa já estamos na boa direção”, e para isso é preciso que da
reunião de Cali saia “um roteiro, um mapa” para o percurso dos próximos
anos, defendeu.É que, insistiu, para que
não se inviabilize a vida na Terra no final do século, “pelo menos da
humanidade”, tem de se proteger 30% do planeta e o principal instrumento
para o fazer é criar um caminho para os países chegarem a esse valor.
Esse roteiro tem de ser definido nas próximas cimeiras. “Para
percebermos se estamos a ir na direção certa dos 30%”, disse Tiago
Pitta e Cunha, enfatizando que sem esse modelo e sem um mecanismo de
monitorização os objetivos podem não ser alcançados.A
Fundação Oceano Azul, adiantou, tem estado a trabalhar com um instituto
francês sobre como deve funcionar esse mecanismo, que deve ter metas
interinas entre 2024 e 2030, e tem procurado que essa questão seja
discutida em Cali.O presidente da
associação ambientalista Zero e professor universitário (Universidade
Nova), Francisco Ferreira, acrescenta outra questão: nesta COP16, de
implementação, um dos aspetos cruciais é também a monitorização e
mobilização de recursos. “Ter indicadores
para acompanhar o que se está a passar e mobilizar financiamento de 20
mil milhões de euros por ano são prioridades cruciais”, afirmou
Francisco Ferreira, que deverá participar na cimeira, também em
declarações à Lusa.Lembrando que ainda
este ano decorrem mais duas “COP”, uma sobre clima e outra sobre
desertificação, todas ligadas à crise planetária que se vive, Francisco
Ferreira disse que em Cali é fundamental que se comecem a trabalhar as
23 metas globais decididas na última cimeira, há dois anos em Montreal,
para serem atingidas em 2030.“É necessário
que cada país submeta a sua estratégia e plano de ação de
biodiversidade. Portugal ainda está a faze-lo”, observou.E
como Tiago Pitta e Cunha deixou um alerta: “a biodiversidade é neste
momento uma crise planetária verdadeiramente dramática. Estamos a perder
biodiversidade, estamos com população crescente, estamos com a ameaça
das alterações climáticas também para a própria biodiversidade”.É
por isso também que Tiago Pitta e Cunha quer que saia da COP16 uma
maior notoriedade sobre a importância da biodiversidade, porque as
pessoas não estão cientes do objetivo “30 por 30”, proteção de 30% da
natureza global até 2030.