Percentagem de beneficiários de ação social escolar aumenta após quatro anos em queda
26 de jan. de 2023, 08:20
— Lusa/AO Online
O
documento produzido pelo Conselho Nacional de Educação (CNE) refere
que, após quatro anos consecutivos em queda, a percentagem alunos
carenciados aumentou em 2020/2021.“Em
2020/2021, nos ensinos básico e secundário registou-se um aumento
percentual de 4,6 pontos percentuais no total de alunos com ASE,
comparativamente ao ano anterior”, lê-se no relatório.O
aumento é, sobretudo, justificado pelo número de beneficiários de ASE
no escalão C. Criado em 2017 para apoiar as famílias com a compra de
manuais escolares, e direcionado entretanto para a aquisição de material
escolar, a percentagem de alunos neste escalão passou de 0,2% para
4,6%, registando-se, por outro lado, um decréscimo pouco significativo
de beneficiários no escalão A e um ligeiro aumento no escalão B.À
semelhança de outros anos, o CNE voltou a constatar uma maior
concentração de alunos carenciados em ofertas formativas alternativas e
refere que “a percentagem é sempre menor no ensino geral do que nas
outras ofertas formativas”.A exceção à
regra são os cursos artísticos especializados, sendo que a percentagem
mais elevada regista-se nos percursos curriculares alternativos do 2.º
ciclo, seguida da mesma oferta no 3.º ciclo e do programa integrado de
educação e formação do 2.º ciclo.Por
regiões do continente, a maior percentagem registou-se no Tâmega e Sousa
(54,1%) e a menor em Coimbra (26,3%). Nas regiões autónomas da Madeira e
Açores, com sistemas diferentes, a percentagem rondou os 60%, abaixo do
ano anterior.No capítulo dedicado à
equidade, o relatório do Estado da Educação 2021 refere também que o
insucesso escolar nos Territórios Educativos de Intervenção Prioritária
aumentou ligeiramente no ano analisado.O
aumento foi mais acentuado no 3.º ciclo, em que a taxa de insucesso
passou de 4,5% em 2019/2020 para 6,4%, e no 1.º ciclo (aumentou de 2,4%
para 4,1%).No ensino superior, o total de
bolseiros atingiu, em 2020/2021, o número mais alto da última década,
com um total de 60.709 beneficiários de bolsa de estudo. “O ensino
universitário apresenta maior percentagem do que o ensino politécnico,
em todos os anos”, acrescenta o relatório.No
âmbito do programa +Superior, dedicado a apoiar estudantes carenciados
em instituições localizadas em zonas de baixa pressão demográfica, o
número de bolsas atribuídas mais que duplicou face a 2014/2015, quando
foram lançadas, e cresceu 21,3% em comparação com 2019/2020.Sobre
o alojamento para estudantes universitários, o CNE nota que “entre 2009
e 2021, o número de camas disponíveis não sofreu grandes alterações”,
tendo até diminuído em 2021, provavelmente devido à pandemia da covid-19
que “obrigou à diminuição do número de camas por quarto”.Ainda
assim, o órgão consultivo do Ministério da Educação recorda que o Plano
Nacional para o Alojamento no Ensino Superior tem como objetivo
duplicar a oferta até 2030, para um total de 30 mil camas.