Pequim acusa Estados Unidos de ciberataques a empresas de defesa chinesas
1 de ago. de 2025, 16:17
— Lusa/AO Online
Num
comunicado divulgado pelo Centro Nacional de Resposta a Emergências de
Internet da China (CNCERT), organismo dependente do Ministério da
Indústria e Tecnologia da Informação, é referido que foram detetados
ataques dirigidos contra universidades, institutos de investigação e
empresas do complexo militar-industrial.Segundo
o texto, estas ações terão tido como objetivo obter informação
classificada relacionada com o desenho, desenvolvimento e produção de
tecnologia militar.O centro apresentou dois casos ocorridos nos últimos três anos como exemplos representativos.O
primeiro terá acontecido entre julho de 2022 e julho de 2023, quando um
grupo alegadamente ligado a serviços de informação norte-americanos
explorou uma vulnerabilidade não divulgada do sistema de correio
eletrónico Microsoft Exchange para aceder à rede interna de uma empresa
da indústria de defesa.Os atacantes terão
assumido o controlo de mais de meia centena de dispositivos-chave e
instalado ferramentas concebidas para manter o acesso a longo prazo
através de canais de comunicação encriptados. Também terá sido utilizada
uma rede de servidores de passagem localizados em países como Alemanha,
Finlândia, Coreia do Sul e Singapura.O segundo caso, ocorrido entre julho e novembro de 2024, terá envolvido uma empresa chinesa do setor das telecomunicações.De
acordo com os dados divulgados pelo CNCERT, os atacantes exploraram
vulnerabilidades no sistema de ficheiros eletrónicos para inserir portas
traseiras na memória e carregar programas maliciosos, deixando mais de
300 dispositivos vulneráveis.A instituição
indicou ainda que, em 2024, foram detetados mais de 600 incidentes
atribuídos a grupos de ameaças persistentes avançadas (APT) ligados a
Estados estrangeiros contra entidades chinesas consideradas “chave”,
sendo o setor da defesa o mais atingido.O
comunicado surge num contexto de degradação das relações entre a China e
os Estados Unidos nos últimos anos, período durante o qual as duas
potências têm trocado acusações mútuas de ciberataques.