Pensamento Computacional abrange 8000 alunos

Hoje 10:30 — Ana Carvalho Melo

Cerca de 8 000 alunos do 1.º ao 5.º ano vão ter, este ano letivo, aulas de Pensamento Computacional nas escolas da Região.O projeto, iniciado no ano letivo de 2021/2022, tem como objetivo formar cidadãos capazes de compreender problemas complexos, pensar de forma crítica e construir soluções para os vários desafios do quotidiano.“O objetivo do Pensamento Computacional não é formar programadores, mas formar cidadãos capazes de compreender problemas complexos, pensar de forma crítica e construir soluções para os vários desafios que vão encontrando”, explicou Paulo Neves, adjunto da Secretaria Regional da Educação, Cultura e Desporto.Segundo Paulo Neves, esta aprendizagem molda o perfil das crianças de várias formas, quer através da mudança de atitude perante os desafios, quer através do desenvolvimento das funções executivas. Com base nas perceções dos professores, quando confrontadas com dificuldades, as crianças deixam de dizer “não consigo” e passam a tentar, perdendo o medo de errar.O Pensamento Computacional estimula também a comunicação, a expressão de ideias, o controlo inibitório e a flexibilidade cognitiva — a capacidade de encontrar diferentes soluções para um mesmo problema.Além disso, permite adquirir competências transversais para a vida, uma vez que confere aos alunos ferramentas que não se esgotam na sala de aula, sendo aplicáveis tanto às restantes disciplinas escolares como à vida em sociedade.Ao Açoriano Oriental, Paulo Neves explicou que está a ser desenvolvida uma avaliação em colaboração com o ISCTE. Neste momento, ainda não existem dados conclusivos, uma vez que os dados recolhidos ao longo dos quatro anos de implementação no 1.º ciclo, entre 2021 e 2024, estão a ser tratados e analisados para verificar os indicadores de evolução dos alunos. Existem, por isso, apenas dados preliminares.No entanto, realçou que existe uma avaliação informal positiva, baseada nas observações diretas dos professores e no contacto com os encarregados de educação.Nesse sentido, referiu que tem sido destacada a mudança de atitude dos alunos perante problemas difíceis.Paulo Neves explicou que, nos últimos anos, o projeto tem vindo a evoluir de forma a chegar ao 5.º ano.Em 2021, o projeto foi desenhado com a orientação do especialista britânico, professor Miles Berry, da Universidade de Roehampton, em Londres, inspirando-se no modelo do Reino Unido, denominado Computing in the Curriculum. A equipa inicial, composta por cerca de 20 professores, esteve diretamente envolvida no desenho das atividades e na criação do referencial pedagógico.A aplicação junto dos alunos começou no ano letivo de 2021/2022, abrangendo o 1.º ano do 1.º ciclo e cerca de 2 000 alunos.O projeto avançou progressivamente, ano após ano, acompanhando a progressão dos alunos até culminar no 4.º ano de escolaridade, ao fim de quatro anos de implementação.Com a entrada no 2.º ciclo, no 5.º ano, durante este ano letivo, o projeto abrange atualmente cerca de 8000 alunos e conta com uma equipa de aproximadamente 60 professores.Para garantir a transição e a aplicação do Pensamento Computacional no 2.º ciclo, Paulo Neves revelou que foi necessário acautelar vários aspetos durante o ano letivo anterior, nomeadamente a conceção de conteúdos que apresentassem desafios e problemas mais complexos, adaptados ao desenvolvimento cognitivo desta faixa etária.Nesse sentido, foi feito um planeamento antecipado por equipas de docentes: uma responsável pelo desenho das atividades, com base na literatura científica, e outra encarregue de as testar previamente.No 5.º ano, os professores designados lecionam a área de Pensamento Computacional a par de outras disciplinas do seu currículo.Paulo Neves recordou ainda que, anualmente, é assinalado o Dia do Pensamento Computacional, a 11 de maio. A data foi instituída pela equipa do projeto e assinala o momento em que, no final do “ano zero”, se concluiu o desenho de todas as atividades e a preparação global do projeto.O dia é assinalado com um pequeno evento, habitualmente em formato online, dada a dispersão geográfica do arquipélago e a impossibilidade de reunir presencialmente todos os docentes envolvidos.“Temos visto que o número de participantes tem vindo sempre a aumentar. Portanto, isso também é um indicador de que há interesse pela área e de que já existe, diria eu, um certo reconhecimento pelo trabalho que esta equipa tem vindo a fazer. Há outros docentes, de outras áreas, que já entendem a importância que o Pensamento Computacional está a ter”, revelou.Pensamento Computacional no PISAPaulo Neves referiu ainda que, no relatório PISA 2025, que avalia os conhecimentos e as competências dos alunos de 15 anos em várias áreas do conhecimento, passou a ser medida a resolução computacional de problemas. Este parâmetro junta-se às áreas tradicionais já avaliadas: Ciências, Matemática e Leitura.Para o adjunto da Secretaria Regional da Educação, Cultura e Desporto, esta alteração no PISA constitui uma demonstração do crescente reconhecimento internacional da importância do pensamento computacional na educação.“A prova de que esta opção foi correta é que, no novo relatório PISA, para além dos parâmetros de Ciências, Matemática e Leitura, passou também a ser medida a resolução computacional de problemas”, afirmou, frisando que se trata de um reconhecimento da importância do pensamento computacional.No PISA 2025, o pensamento computacional é avaliado através do domínio “Aprendizagem no Mundo Digital”, com enfoque na escala de “Resolução Computacional de Problemas” e nos seus subdomínios de Programação e Modelação.Os alunos em Portugal obtiveram uma média de 501 pontos na resolução computacional de problemas, alinhando-se com a média da OCDE, de 500 pontos.A Região Autónoma dos Açores obteve uma média de 486 pontos na resolução computacional de problemas. Apesar de o resultado dos Açores se situar abaixo da média nacional, de 501 pontos, e da média da OCDE, de 500 pontos, a Região ficou à frente do Alentejo, com 472 pontos, e da Península de Setúbal, com 474 pontos.