Pena suspensa para PSP que matou namorada de assaltante em S. João da Madeira
16 de mar. de 2023, 16:03
— Lusa
Durante a leitura do acórdão,
que decorreu esta tarde no Tribunal de Santa Maria da Feira, o juiz
presidente disse que resultou provado que o polícia “fez um indevido uso
da sua arma de fogo e provocou a morte da vítima”.“O
arguido podia ter-se abstido de usar a sua arma de fogo, uma vez que o
veículo em fuga já não representava perigo para si ou para o seu
colega”, afirmou o magistrado.O agente da
PSP foi condenado a dois anos de prisão, com execução suspensa por igual
período, pela prática de um crime de homicídio por negligência.No
mesmo processo, o assaltante, conhecido como André "Pirata", foi
condenado a uma pena única de três anos de prisão efetiva, em cúmulo
jurídico, por um crime de furto e outro de resistência e coação sobre
funcionário.O arguido estava acusado de um crime de furto na forma tentada, mas foi absolvido, porque houve desistência de queixa.O
coletivo de juízes decidiu ainda que as indemnizações reclamadas pela
família da vítima mortal serão decididas em processo cível.À
saída da sala de audiências, os familiares da rapariga que foi baleada
pelo agente da PSP mostraram desagrado pela decisão do tribunal, mas não
quiseram prestar declarações aos jornalistas.Durante
o julgamento, o polícia alegou ter disparado contra a viatura do
assaltante para proteger o colega, garantindo que não viu ninguém no
lugar do pendura.Já André “Pirata” disse
ter a “certeza absoluta” que os agentes viram que a sua namorada estava
dentro do carro, tendo ainda negado a tentativa de atropelamento.O
caso remonta à noite de 24 de setembro de 2020, quando os agentes da
PSP intercetaram André “Pirata” a tentar furtar um veículo numa rua de
São João da Madeira, dando-lhe ordem para parar.Para
tentar escapar às autoridades, o assaltante introduziu-se num veículo
que tinha sido furtado por si quatro dias antes, e onde também seguia a
sua namorada, de 23 anos, sentada no lugar do passageiro dianteiro do
veículo.Na fuga, segundo a acusação do
Ministério Público (MP), o condutor direcionou o veículo contra um
agente policial que se colocou na sua frente, só não o atingindo pela
rapidez com que este se desviou, apesar deste agente ainda ter efetuado
um disparo para a roda frontal esquerda do veículo.O
outro agente da PSP, que se encontrava na traseira do veículo em fuga, a
uma distância de cerca de 30 metros, também efetuou um disparo para a
traseira da viatura, que trespassou a bagageira e atingiu a companheira
do assaltante no coração e pulmão direito, causando-lhe a morte.Após
a abordagem policial e a fuga, a jovem baleada foi abandonada pelo
namorado no chão da Urgência do Hospital de São João da Madeira, onde
entrou em paragem cardiorrespiratória e acabou por morrer.