Pelo menos um morto e 120 desaparecidos ao largo da Mauritânia
Migrações
20 de jul. de 2026, 17:33
— Lusa/AO Online
Segundo avançou nas redes sociais o
Ministério das Pescas do país, a primeira operação de busca e
salvamento foi iniciada após ter sido recebido um pedido de socorro de
uma embarcação com “aproximadamente 160 pessoas a bordo” que tinha
partido de Banjul, capital da Gâmbia, e se dirigia para as ilhas
Canárias, em Espanha.“A embarcação teve um
problema e ficou sem combustível, ficando à deriva em águas
internacionais antes de entrar em águas territoriais mauritanas”,
explicou o ministério.Neste caso, as
equipas de busca resgataram 37 pessoas — 22 senegaleses, sete gambianos e
oito guineenses — além de terem recuperado um corpo no mar.A
embarcação, adiantou o ministério, “passou cerca de 25 dias no mar”,
tendo os sobreviventes relatado terem estado “à deriva durante cerca de
10 dias”.Todos disseram também que ficaram sem água e comida, o que os obrigou a beber água do mar.“Suportaram
condições extremamente difíceis”, lamentou o ministério mauritano,
garantindo que as buscas pelos passageiros desaparecidos continuam.As
autoridades referiram ainda que os sobreviventes já foram levados para
terra, especificamente para o porto de Nouadhibou, de onde sete foram
transferidos “de urgência” para um hospital para “receberem os cuidados
médicos necessários”.Além disso, sublinhou
o ministério, uma segunda operação foi realizada no fim de semana,
tendo sido resgatadas 179 pessoas — 168 senegaleses, cinco ganeses,
quatro gambianos e dois malianos —, algumas das quais também tiveram de
ser levadas para um hospital para tratamento, embora não tenham sido
adiantados pormenores sobre a gravidade do seu estado de saúde.A Mauritânia é um país de trânsito central e ponto de partida crucial da Rota da África Ocidental (ou Rota do Atlântico).Migrantes
oriundos de países subsaarianos (como o Senegal e a Gâmbia), muitas
vezes com o auxílio de redes de tráfico humano, utilizam a costa do país
para realizar travessias marítimas até às ilhas Canárias, o que
representa uma distância oceânica que varia entre 100 km e 1.600 km.A travessia é feita em embarcações precárias e superlotadas, conhecidas localmente como pirogas.Esta
rota migratória é considerada uma das mais letais do mundo, devido aos
fortes ventos, correntes marítimas adversas e à fragilidade das
embarcações, o que resulta com frequência em naufrágios e
desaparecimentos.A Organização
Internacional para as Migrações (OIM) refere no seu ‘site’ que cerca de
6.600 pessoas morreram ou desapareceram nesta rota desde 2014, um número
inferior apenas ao registado na rota do Deserto do Saara – que ligação
para os migrantes da África Subsaariana que tentam chegar ao Norte de
África e, posteriormente, à Europa através do mar Mediterrâneo ou do
oceano Atlântico -, onde foram documentadas mais de 7.100 mortes e
desaparecimentos.