Pelo menos 91% do país está sem ligação à Internet devido a apagão
Venezuela
27 de mar. de 2019, 18:54
— Lusa/AO Online
"Urgente: Identificou-se uma nova interrupção
na Venezuela, 50 horas após o início do (último) apagão nacional. 91%
do país está agora 'offline', revertendo-se a recuperação parcial. O
incidente está em curso", explica a Netblocks na sua conta na rede
social Twitter.Já na terça-feira a
Netblocks tinha advertido que a "conectividade à Internet" era de "menos
de 10%" em pelo menos 18 das 24 regiões da Venezuela, situação que
descreveu como de "classificação severa".Segundo
a Netblocks há problemas "severos" de acesso à Internet, nos Estados de
Mérida, Táchira, Trujillo, Barinas, Miranda, Dependências Federais,
Apure, Zúlia, Arágua, Lara, Portuguesa, Distrito Capital (Caracas),
Guárico, Yaracuy, Cojedes, Amazonas, Falcón e Carabobo.No
entanto há ainda a registar os Estados de Vargas e Nova Esparta, onde a
falha de Internet é de "alto impacto". Em Sucre e Anzoátegui, as falhas
têm um efeito "médio", acrescenta a Netblocks.No
passado dia 07 de março uma falha na barragem de El Guri (a principal
do país) deixou a Venezuela às escuras durante uma semana.No
entanto um novo apagão, que começou pelas 11 horas locais (15 horas em
Lisboa, menos uma nos Açores) de segunda-feira em várias zonas do sudoeste da Caracas,
estendeu-se a outras zonas, sendo que duas horas mais tarde a cidade
ficou toda às escuras, constatou a agência Lusa.Em
comunicado, o Governo venezuelano explicou que na segunda-feira o
Sistema Elétrico Venezuelano (SEV) foi alvo de dois ataques terroristas,
um deles um incêndio na barragem de El Guri, a principal do país.Fontes não oficiais dão conta de que em alguns Estados o serviço elétrico foi restituído em quase 30%.Na
Venezuela são cada vez mais frequentes e prolongadas as falhas de
fornecimento de eletricidade, chegando a afetar a totalidade do
território.O Governo atribui as falhas a
atos de sabotagem de opositores apoiados pelo Estados Unidos, enquanto
que a oposição acusa o regime de não fazer os investimentos necessários
no setor e tem denunciado, desde há vários anos, falhas na manutenção e
ausência de peças de reparação.Desde 2005
que engenheiros elétricos alertam que o país poderia registar um apagão
geral devido às condições precárias do sistema.Em
maio de 2013, após um após que afetou vários Estados do país, o então
ministro de Energia Elétrica da Venezuela, Jesse Chacón, anunciou que o
Presidente Nicolás Maduro ordenou o desdobramento de militares nas
centrais elétricas e de transmissão no país.Entretanto,
segundo a imprensa local, devido à crise política, económica e social,
centenas de empregados da Corporação Elétrica Nacional da Venezuela
(Corpoelec) abandonaram o país à procura de melhores condições no
estrangeiro.