Pelo menos 17 mortos em novos ataques de Israel em Gaza
Médio Oriente
4 de abr. de 2025, 19:13
— Lusa/AO Online
Pelo menos 17 pessoas,
algumas da mesma família, morreram após um bombardeamento ter atingido a
cidade de Khan Younis, no sul do enclave, segundo funcionários do
hospital local citados pela agência Associated Press (AP), que descreve
que, horas depois, os habitantes ainda vasculhavam os escombros em busca
de sobreviventes.Centenas de pessoas
morreram nas últimas duas semanas, à medida que Israel intensifica as
operações no território, com o objetivo de pressionar o Hamas a libertar
os restantes reféns que conserva em sua posse há um ano e meio.Na
quinta-feira, mais de 30 corpos, incluindo mulheres e crianças, foram
levados para unidades de saúde em Khan Younis e arredores, segundo
funcionários das equipas hospitalaresOs
militares israelitas indicaram hoje que iniciaram atividades operações
no norte da Faixa de Gaza, a fim de expandir a sua zona de segurança,
após emitirem ordens de evacuação para partes do norte do enclave. O
gabinete de coordenação humanitária da ONU (OCHA) disse que cerca de
280 mil palestinianos foram deslocados desde que Israel terminou o
cessar-fogo com o Hamas, no mês passado.Nos
últimos dias, as autoridades israelitas ameaçaram tomar grandes partes
do território palestiniano e estabelecer um novo corredor de segurança
no seu interior.Para pressionar o Hamas,
impuseram um bloqueio de um mês aos alimentos, combustível e ajuda
humanitária, o que deixou os habitantes confrontados com uma grave
escassez de bens essenciais, numa prática que grupos de defesa dos
direitos humanos enquadram como um crime de guerra. Israel
argumentou no início desta semana que entraram na Faixa de Gaza
alimentos suficientes durante a trégua que vigorou seis semanas para
sustentar os cerca de dois milhões de palestinianos durante um longo
período.O Hamas afirma que apenas
devolverá os restantes 59 reféns – 24 dos quais se acredita estarem
vivos – em troca da libertação de mais prisioneiros palestinianos nas
cadeias de Israel, de um cessar-fogo duradouro e da retirada israelita
da Faixa de Gaza.O grupo armado rejeitou
as exigências de depor as armas ou de abandonar o enclave no âmbito das
negociações para as etapas seguintes de um eventual cessar-fogo.Na
nova ofensiva, as tropas israelitas alargaram a zona tampão na Faixa de
Gaza, retomando a secção oriental do corredor Netzarim e desligando
parcialmente o norte e o sul do território.Segundo
o Projeto de Localização de Conflitos Armados e Dados de Eventos
(ACLED), com sede nos Estados unidos, mais de 300 ataques aéreos
ocorreram durante dez dias no final de março.A
guerra começou quando militantes liderados pelo Hamas atacaram o sul de
Israel em 07 de outubro de 2023, matando cerca de 1.200 pessoas, a
maioria civis, e fazendo 251 reféns, dos quais a maioria já foi
libertada no âmbito de acordos de cessar-fogo.Mais
de 50 mil palestinianos foram mortos na Faixa de Gaza no âmbito da
ofensiva que se seguiu de Israel, segundo as autoridades locais,
controladas pelo Hamas, dos quais mais de metade eram mulheres e
crianças. A guerra deixou a maior parte do território em ruínas e, no seu auge, desalojou cerca de 90% da população.