Pegadas de dinossáurios descobertas há 20 anos em Torres Novas tornadas públicas hoje
28 de dez. de 2024, 20:04
— Lusa
A
jazida paleontológica, na serra de Aire, foi identificada por João
Carvalho, da Sociedade Torrejana de Espeleologia e Arqueologia, e os
trilhos de pegadas de dinossáurios localizam-se na antiga Pedreira do
Manuel Fernandes, rebatizada Pedreira do Espanhol.Os
novos trilhos encontram-se dispersos numa área com cerca de 10.800
metros quadrados, num estrato calcário datado do Jurássico Médio.O
achado hoje divulgado dista, em linha reta, meia dúzia de quilómetros
da Pedreira do Galinha, onde, em 04 de julho de 1994, também João
Carvalho descobriu o maior trilho de pegadas de dinossáurios saurópodes
do mundo, com 175 milhões de anos, hoje Monumento Natural das Pegadas de
Dinossáurios de Ourém – Torres Novas.A
Pedreira do Espanhol encontra-se em fase de limpeza, para reconhecimento
do número total de trilhos e pegadas, mas foram já reconhecidas pegadas
de saurópodes, de vários tamanhos.João
Carvalho, que aguardou pela salvaguarda e proteção das pegadas da
Pedreira do Galinha para divulgar esta descoberta, explicou à agência
Lusa que a decisão de tornar pública esta descoberta prendeu-se com a
inclusão daquele monumento e da Jazida com Pegadas de Dinossáurios de
Vale de Meios (Santarém) na lista dos 200 geossítios mais relevantes a
nível global. Ambas estão situadas no Parque Natural das Serras de Aire e
Candeeiros.Admitindo que este foi um
segredo bem guardado, João Carvalho afirmou que a Pedreira do Espanhol
estava preservada, pois encontra-se desativada.“Eu
sempre disse, inclusive ao Parque, que quando precisassem um dia,
depois eu dava a conhecer outras pegadas”, declarou, assumindo que como a
Pedreira do Galinha já está preservada, esta era “a altura certa para
incluir estas no geomonumento”.A
necessidade de divulgação da descoberta prendeu-se também com a
existência de atividades de todo-o-terreno clandestinas na área.João
Carvalho, que realçou ser a atividade industrial das pedreiras a pôr a
descoberto estas evidências, desejou que o local seja preservado,
defendendo, por exemplo, a criação de um percurso pedestre para ligar
este achado ao Monumento Natural Ourém – Torres Novas, à semelhança da
existência de outros na zona.“As pessoas
que caminham aqui são pessoas que preservam e que gostam da natureza”,
adiantou, realçando a possibilidade de “poderem ver ‘in situ’” pegadas
de dinossáurios.Para João Carvalho, “era
muito importante deixá-las quase como elas estão”, mas limpar e
sinalizar, além de impedir a realização de atividades motorizadas.A
investigadora Vanda Santos, da Faculdade de Ciências da Universidade de
Lisboa, antecipou que, embora sem perceção do todo, porque há pegadas
cobertas por brita, a descoberta “vai trazer mais informação,
complementar”, ao que já se conhece da Pedreira do Galinha ou de Vale de
Meios.A paleontóloga, que trabalha com
pegadas de dinossáurios nas últimas três décadas, considerou tratar-se
também de um desafio para a ciência.“Eu espero, sinceramente, que isto nos traga mais informação”, adiantou Vanda Santos.Na
Pedreira do Galinha existe “um conjunto de 20 trilhos produzidos por
dinossáurios”, com marcas de pés e de mãos bem definidas, disse à
agência Lusa o biólogo José Alho, antigo coordenador do monumento e
responsável pelo programa de intervenção no espaço no final da década de
90.Um desses trilhos, com 147 metros, é
“o mais longo que se conhece produzido por dinossáurios herbívoros e
quadrúpedes de pescoço e cauda longos”, explicou José Alho, hoje
vice-presidente da Comissão de Coordenação e Desenvolvimento Regional de
Lisboa Vale do Tejo com o pelouro do ambiente.Este
monumento abriu portas ao público em 01 de março de 1997. Além de uma
área de receção com pequeno auditório e loja, tem um circuito de
visitação à laje onde estão as pegadas, um jardim jurássico com painel
sobre a História da Terra e um ‘Aramossáurio’, uma réplica em aço da
espécie que deixou as pegadas.