Pedro Sánchez garante que não antecipa eleições apesar da crise no PP
23 de fev. de 2022, 11:36
— Lusa/AO Online
No debate parlamentar
semanal que teve lugar, esta quarta-feira, no Congresso dos Deputados, Pedro Sánchez
desejou ao líder do Partido Popular (PP, direita), Pablo Casado, "o
melhor para si próprio".Depois de um breve
discurso de Pablo Casado, que soou a despedida do hemiciclo e antes
deste abandonar a câmara, o chefe do Governo disse que "este é um
governo com sentido de Estado" e que não haverá eleições antecipadas.O
presidente do PP abandonou a sessão plenária do Congresso dos Deputados
após receber aplausos do seu grupo parlamentar e defender na sua
pergunta parlamentar ao primeiro-ministro que a política é a "defesa dos
valores, respeito pelos adversários e dedicação ao povo espanhol".O
líder do PP, o maior partido da oposição espanhola, convocou para a
próxima terça-feira uma reunião da junta diretiva nacional do partido, o
órgão mais importante entre congressos, onde se espera que seja
convocado o 20.º congresso nacional do partido, que será de "natureza
extraordinária".Desta forma, Casado cedeu à
pressão interna após, nos últimos dias, terem aumentado as vozes que
apelam à convocação deste conclave urgente para eleger uma nova
liderança do PP e para poder dar uma saída à situação de guerra interna
em que o partido se encontra.Todos os
olhos estão voltados para o presidente da região autonómica da Galiza,
Alberto Núñez Feijóo, que nas últimas horas recebeu inúmeros apoios
públicos para tomar as rédeas do PP e tentar reconstrui-lo, depois de
uma semana muito turbulenta.Feijóo ainda
não se apresentou explicitamente, mas deixou a porta aberta para dar
este passo, assegurando que o PP necessita de "mudanças, novas etapas e
novos horizontes" e que tomará "decisões" em função do que a parte lhe
pedir.A atual crise no PP começou na
semana passada quando a presidente da comunidade autonómica de Madrid,
Isabel Díaz Ayuso, acusou o seu partido de tentar destruí-la de forma
"cruel", sustentando que o PP e o seu líder, Pablo Casado, estavam a
fazer manobras para a desacreditar "pessoal e politicamente" e a tentar
ligá-la à corrupção a partir do "anonimato", "sem provas" e envolvendo a
sua família.A liderança nacional do PP
estaria a investigar desde outubro passado um contrato de 1,5 milhões de
euros relacionado com o irmão da presidente de Madrid, tendo-lhe pedido
explicações sobre as possíveis irregularidades.A
investigação teria sido feita ao irmão da líder de Madrid, Tomás Díaz
Ayuso, e pretendia, entre outras coisas, obter uma declaração da sua
conta bancária pessoal, bem como a lista dos fornecedores da empresa
Priviet Sportive, à qual a Comunidade de Madrid adjudicou em abril de
2020 um contrato direto de 1,5 milhões de euros para a compra de
máscaras FFP2 e FFP3.Isabel Díaz Ayuso era
até agora uma figura em ascensão no PP, depois de ter ganhado as
eleições na região de Madrid em maio de 2021 por quase uma maioria
absoluta que deu ânimo aos populares para tentar converter-se num
movimento capaz de ganhar as eleições nacionais previstas para finais de
2023 e substituir o atual Governo nacional de esquerda, uma coligação
entre o Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE) e o Unidas Podemos
(extrema-esquerda).