Pedro Nuno desafia Montenegro a esclarecer se quer cortar subsídio de desemprego

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2 de mar. de 2024, 11:46 — Lusa /AO Online

Num discurso no pavilhão do Núcleo Empresarial da Região da Guarda (NERGA), Pedro Nuno Santos abordou declarações de Luís Montenegro, na quinta-feira, de que não aceita um “país em que muita gente que trabalha tem menos dinheiro do que muita gente que não trabalha”.“Aquilo que ouvimos ontem [quinta-feira] do líder do PSD foi um regresso ao passado, colocar portugueses contra portugueses: portugueses que têm emprego contra portugueses que não têm emprego”, considerou Pedro Nuno Santos.O líder socialista defendeu que Montenegro tem de explicar o que queria dizer e afirmou que o subsidio de desemprego “não é um favor do Estado a quem está desempregado, é um direito conquistado enquanto se trabalha”.“Todos os trabalhadores descontam para ter proteção social, o subsídio de desemprego é uma prestação contributiva, isto é: resulta das contribuições que todos os meses os trabalhadores e os seus patrões vão fazendo”, sublinhou.Essas contribuições, prosseguiu, servem para “dar segurança a cada trabalhador que, caindo numa situação de desemprego, tenha uma proteção para não cair no chão”.“E, portanto, era muito importante que o líder do PSD clarificasse o que quis dizer com a declaração que fez. (…) Clarifique o quis dizer, porque pode estar em causa também um regresso ao tempo em que eles defendiam a revisão em baixa das prestações contributivas onde estava também o subsídio de desemprego”, sublinhou.Neste discurso, Pedro Nuno Santos insistiu na ideia de que, quando a Aliança Democrática (AD) fala de mudança, quer “regressar ao passado”, contrapondo o projeto do PS, que disse ter “o futuro na cabeça e no coração”.Salientando que a presença de Pedro Passos Coelho na campanha da AD “foi muito importante para avivar a memória”, Pedro Nuno Santos defendeu que “não há uma verdadeira distinção” entre Luís Montenegro e o antigo primeiro-ministro social-democrata.“Eles são duas faces da mesma moeda. Um era primeiro-ministro e o outro era o líder parlamentar do período mais negro dos mais velhos, dos reformados e dos pensionistas em Portugal”, afirmou.Além de referir que, durante o período da ‘troika’, os cortes nas pensões só não se tornaram permanentes porque o Tribunal Constitucional não deixou, Pedro Nuno Santos voltou também a abordar as declarações de Paulo Núncio sobre o aborto e de Eduardo Oliveira e Sousa sobre os agricultores e as alterações climáticas para insistir que a “mudança deles é regressar ao passado, não é avançar”.“Da AD, não vem mudança para melhor, não vem mudança para o futuro, cada vez que os ouvimos falar é de um regresso ao passado aonde nós não queremos voltar”, afirmou, com alguns militantes na sala a gritarem “não passarão”.Num dia em que o antigo presidente da Comissão Europeia Durão Barroso discursou num comício da AD, Pedro Nuno Santos recuou ao tempo em que este foi primeiro-ministro, entre 2002 e 2004, para o acusar de ter empobrecido o país.Segundo o líder socialista, entre 2002 e 2004, “a taxa de risco de pobreza após transferências sociais subiu de 19% para 19,4%”, enquanto que, quando o PS assumiu funções em 2005, essa taxa baixou de 18,5% para 18%.“Em 2011, regressaram eles e a taxa de risco de pobreza aumentou. Em 2016, voltámos e, até 2023, ela baixou de 18,3% para 17%. A pobreza, com eles, sobe. Connosco, a pobreza desce”, afirmou, provocando um aplauso na sala.Esta quinta-feira, num comício em Ourém, Luís Montenegro recusou a acusação do PS de que o projeto de descida de impostos da candidatura da AD represente uma aventura.“Quando dizemos que baixamos os impostos queremos dizer duas coisas: às pessoas que trabalham, que vale a pena trabalhar. Não aceito um país em que muita gente que trabalha tem menos dinheiro do que muita gente que não trabalha”, disse, recolhendo um grande aplauso na sala.O líder do PSD salientou que, com esta afirmação, não quer dizer que um Governo que possa liderar vai tirar a quem não trabalha “porque está mais vulnerável ou porque não consegue”.“O que quero dizer é que, se damos esta solidariedade a quem não está a trabalhar, temos de a dar a quem trabalha e quem trabalha não pode perder tanto do seu rendimento. É por isso que queremos baixar os impostos”, explicou.Mais de 10,8 milhões de portugueses são chamados a votar em 10 de março para eleger 230 deputados à Assembleia da República.A estas eleições concorrem 18 forças políticas, 15 partidos e três coligações.