Pedro Nuno avisa Governo que PS não pode ser ignorado no Orçamento do Estado
4 de jul. de 2024, 12:20
— Lusa/AO Online
“O PS não
está de corpo presente no parlamento, não pode ser ignorado, não pode
ser aprisionado a uma governação com a qual nós discordámos de forma
estrutural, de forma profunda”, disse na quarta-feira à noite Pedro Nuno
Santos na Grande Entrevista da RTP3.Numa
fase da entrevista em que foi questionado sobre a disponibilidade do PS
para viabilizar o próximo Orçamento do Estado, o líder do PS reiterou
que “é praticamente impossível” o PS viabilizar um orçamento “que é a
tradução 'ipsis verbis' de um programa do Governo” que os socialistas
não apoiam.“Esse praticamente impossível
só é superável na medida em que o Governo estiver na disposição de não
ignorar o maior partido da oposição. Ignorando o maior partido da
oposição, achando que tem o direito a apresentar e a ver aprovado, está
enganado, isso não vai acontecer”, avisou.Sublinhando
que o PS “não tem uma atitude irresponsável perante o país”, Pedro Nuno
Santos enfatizou que “os sinais até agora não são bons”. “Se
o Governo tiver essa vontade, procurar, estiver de boa-fé. Não basta
dizer que queremos um consenso e depois não nos mexermos, não estarmos
disponíveis para ouvir. Se não houver essa vontade, aí vai ser
impossível", alertou.Depois de o
primeiro-ministro ter avisado que não colocaria mais um cêntimo na
proposta para as forças de segurança – o que já considerou um fracasso
-, esta noite o líder do PS criticou um “primeiro-ministro em público a
fazer um ultimato”.“As forças de segurança
têm razões para reivindicar, ganham pouco e há muito para fazer”,
defendeu, considerando que é preciso corresponder às reivindicações
“dentro da margem orçamental” do país.“Pode
parecer que governar é apresentar PowerPoints, mas governar não é
apresentar PowerPoints. É resolver problemas complexos”, condenou.Sobre
a acusação do ministro dos Assuntos Parlamentares de que o PS está a
"contra governar" com "vontade de dinamitar legislatura", o líder
socialista considerou-a “absurda” e avisou que “não vão condicionar o
PS”.Questionado sobre se tem mantido
muitos encontros com Luís Montenegro, Pedro Nuno disse que não teve
muitos e os contactos foram “muito pontuais”.“Um
Governo que tem um apoio parlamentar tão reduzido tem que fazer um
esforço para conseguir alargar entendimentos que sustentem a governação.
Não podemos ser ignorados e depois estar-se à espera que o PS levanta o
braço”, reiterou.Já no tema da justiça, o
líder do PS recusou fazer avaliações sobre o mandato da
Procuradora-Geral da República, considerando positivo que Lucília Gago
se tenha disponibilizado a ser ouvida no parlamento.Sobre
a entrevista da ministra da Justiça a propósito do perfil do futuro
PGR, Pedro Nuno Santos disse concordar em absoluto com duas
características que foram identificadas pela governante: “capacidade de
liderança e capacidade de comunicação”.Já
questionado se o PS devia ser ouvido pelo Governo no momento de indicar
uma nova pessoa para a PGR, Pedro Nuno Santos disse: “se fosse
primeiro-ministro ouvia o principal partido da oposição".Quanto
às declarações de João Galamba, que disse ter ficado magoado com a
falta de contacto de Pedro Nuno Santos a propósito da Operação
Influencer, o líder do PS escusou-se a fazer comentários sobre as
relações de amizade.“A condenação da forma
como João Galamba foi tratado, aí não tenho nenhuma hesitação. Não é
aceitável, não é compreensível e eu não consigo ficar indiferente. Não
fico indiferente”, disse a propósito do antigo ministro ter sido
escutado durante quatro anos.Sobre o apoio
do Governo à candidatura de António Costa ao Conselho Europeu ter sido
previamente conversado entre o atual e o antigo primeiro-ministro, Pedro
Nuno Santos afirmou que “não estava a par nem tinha que estar a par”.