Pedidos de levantamento da imunidade parlamentar geram polémica nos Açores
19 de jan. de 2018, 06:27
— Lusa/AO Online
Em
causa estavam os pedidos do Ministério Público de Angra do Heroísmo
para que os deputados Artur Lima, do CDS, e Zuraida Soares, do BE (ambos
líderes parlamentares), fossem ouvidos em tribunal como arguidos num
alegado caso de difamação, por declarações feitas no parlamento.Antes
da votação destes dois pedidos de levantamento da imunidade
parlamentar, Francisco Coelho, presidente da Comissão de Assuntos
Parlamentares, Ambiente e Trabalho (CAPAT), lembrou que a Constituição
Portuguesa determina expressamente que "os deputados não respondem
civil, criminal ou disciplinarmente, por votos e opiniões que emitirem
no exercício das suas funções"."Em
bom rigor, nestes casos, não há qualquer possibilidade de os deputados
em causa, no meu entender, e no entender de muito boa gente, por
aplicação direta do princípio constitucional já referido, serem
constituídos arguidos", defendeu o parlamentar socialista.Mas nem todos os deputados votaram da mesma forma. Carlos
Ferreira, ex-agente da PSP e atual deputado da bancada do PSD, entende
que, "por princípio", os deputados devem responder perante a Justiça,
tal como qualquer outro cidadão."Esta
questão de princípio tem, fundamentalmente, a ver com a minha formação e
com a minha natureza profissional", justificou o parlamentar
social-democrata, que esclareceu não pretender, com o seu voto contra,
"dar lições de moral a quem quer que seja".Só
que a atitude do deputado do PSD, foi prontamente criticada por Artur
Lima, que acusou Carlos Ferreira de não cumprir a Constituição e de
envergonhar a classe política."O
senhor não sabe o que é que está aqui a fazer! Lamento profundamente
que o senhor falte ao respeito a esta casa e à Constituição da República
Portuguesa", apontou o deputado centrista, acrescentando que o
comportamento do parlamentar social-democrata "envergonha" todos os
parlamentares.Apesar
das duras críticas, Carlos Ferreira foi o único a votar contra os
relatórios da CAPAT, que não autorizam o levantamento da imunidade
parlamentar aos deputados em causa.Os
dois outros pedidos de levantamento da imunidade parlamentar, que
envolviam deputados do Partido Socialista, foram aprovados por
unanimidade, uma vez que ambos manifestaram vontade de ir a tribunal e
de "colaborar" com a Justiça, embora nestes dois casos, estivessem em
causa matérias não relacionadas com a atividade política.