Pedidos de apoio por violência doméstica aumentaram 20%
18 de nov. de 2022, 07:10
— Nuno Martins Neves
A Associação Portuguesa de Apoio à Vítima nos Açores
(APAV) tem registado um aumento nos pedidos de apoio por violência
doméstica, cerca de 20% relativamente a 2021. Os dados foram revelados
por Raquel Rebelo, gestora do Gabinete de Apoio à Vítima de Ponta
Delgada da APAV.“Temos recebido mais processos de apoio, em relação
ao período homólogo”, assinala a gestora, indicando que os números
assemelham-se ao registado em 2019, antes da pandemia.“A nível
qualitativo, podemos evidenciar que houve um aumento ao nível dos
pedidos de apoio comparativamente ao ano de 2021, de cerca de 20%.
Estaria aqui a dar uma média de 200 processos até outubro, mas é um
número que ainda não está totalmente apurado”, sublinhou. A nível
estatístico, continua a dominar o apoio a mulheres vítimas de violência
doméstica. Quanto às pessoas idosas, tem aumentado o número de vítimas,
principalmente nos casos em que os alegados agressores/as são os seus
filhos.Valores que, na sua opinião, justificam-se com o fim das
restrições geradas pela Covid-19, o que levou as pessoas a terem mais
disponibilidade para denunciar situações de violência, “mas também
formas mais seguras de receber apoio, pois quando estavam confinadas
muitas das vezes estavam com os alegados agressores/agressoras”.Com a
crise inflacionista ainda nos primórdios, Raquel Rebelo entende que
pode ser um fator de risco para o surgimento de mais queixas, mas não é
exclusivo.Ou seja, “o fator económico não vem sozinho, vem associado
a problemas familiares, situações onde a comunicação já não é saudável,
formas de resolução de conflitos, estratégias de coping. Da nossa
análise diagnóstica dos casos, o fator económico pode ser um fator de
risco, mas não é o único”.