Pedidos de ajuda à Liga Portuguesa Contra o Cancro cresceram cerca de 30%
Covid.19
26 de jan. de 2021, 18:37
— Lusa/AO Online
Em 2019, a LPCC
disponibilizou cerca 1,3 milhões de euros para apoiar doentes e as suas
famílias, “o que em situações normais já era aflitivo, neste momento
numa percentagem muito grosseira, temos aumentos de 30% a nível
nacional, em média, de pedidos de ajuda”, adiantou Vítor Rodrigues.“Tem
sido um aumento substancial, sejam naquilo que nós chamamos de ajuda de
primeira linha, isto é, casos sociais detetados nos hospitais,
nomeadamente nos IPO, e numa ajuda de segunda linha que são casos
detetados na comunidade”, explicou o médico.O
presidente do Núcleo Regional Norte da LPCC, Vítor Veloso, também
assinalou à Lusa o aumento “exponencial” dos pedidos devido à situação
económico-financeira do país estar a agravar-se.“Também
a parte social dia-a-dia é cada vez mais gritante sob o ponto de vista
negativo e a Liga felizmente ainda tem uma almofada financeira
suficiente para ocorrer a múltiplos casos”, disse Vítor Veloso.Relativamente
ao Núcleo Regional do Norte, o oncologista disse que estão “a atender
todos os casos” de doentes carenciados que os procuram. “Os
serviços estão a funcionar, nós temos dado centenas de milhares de
euros a quem tenha justificação económica para os terem”, disse Vítor
Veloso, adiantando que também estão a distribuir cabazes alimentares. Vítor
Veloso frisou que quem tiver dificuldades é bem acolhido na Liga: “nós
despenderemos tudo o que for necessário para a pessoa ser minimamente
bem alimentada”.Ambos os responsáveis
também referiram um aumento da procura das consultas de apoio
psicológico: “nota-se perfeitamente que os doentes necessitam dessa
ajuda, nomeadamente em termos de linha cancro e das consultas de
psico-oncologia”, disse o presidente nacional da LPCC.“Não
é quantitativamente tão grande porque também estamos a notar algum
desânimo, algum baixar de braços do doente, o que é terrível”, comentou
Vítor Rodrigues.Segundo o presidente da
Liga, com a situação de pandemia, além da doença, “as pessoas vão-se
sentido um bocadinho abandonadas e vão ficando cada vez mais em baixo e,
às vezes, já desleixam um bocado essa procura, o que é assustador”.Por
outro lado, adiantou Vítor Rodrigues, alguns estão a fazer tratamento e
desistem ou, pelo menos, pedem para adiar o tratamento devido ao receio
de irem aos hospitais.“As pessoas passam
por um período de desespero porque não estão a conseguir muitas delas
recorrer aos serviços de saúde, mas por outro lado também há um baixar
de braços e isso é terrível”, lamentou Vítor Rodrigues.