Pedidos 226 anos de prisão para português que matou quatro pessoas em casamento em Espanha
12 de mai. de 2025, 12:27
— Lusa/AO Online
Nascido em
1987 e residente em Espanha, M. da S. M., de nacionalidade portuguesa,
está acusado pelo Ministério Público de quatro crimes de assassínio e
mais nove de tentativa de assassínio.Segundo
a Procuradoria espanhola, em 06 de novembro de 2022 lançou
intencionalmente o carro que conduzia contra um grupo de convidados de
um casamento em Torrejón de Ardoz, na região de Madrid."Pegou
no carro e lançou-o contra a multidão, como num atentado jihadista",
realçou o advogado Juan Manuel Medina, que representa a família de
uma das vítimas mortais, um rapaz menor de idade.O
advogado, que falava aos jornalistas à entrada do tribunal de Madrid
onde hoje arrancou o julgamento, realçou que não há dúvida de que o
atropelamento foi intencional e que isso mesmo confirmam os relatórios
periciais, que "demonstram claramente" que o acusado acelerou para
lançar o carro sobre um grupo de pessoas que estavam concentradas junto a
um restaurante onde se celebrava um casamento.As
acusações particulares - das famílias das vítimas mortais - pedem que o
português seja condenado a prisão permanente revalidada periodicamente,
uma pena prevista no Código Penal espanhol que pode traduzir-se, na
prática, numa prisão perpétua.Na acusação
do Ministério Público, a que a Lusa teve acesso, lê-se que o arguido,
conhecido como "o português" e com antecedentes penais, foi à festa de
um casamento em Torrejón de Ardoz, com dois filhos e dois sobrinhos,
tendo um destes menores protagonizado um incidente dentro do
restaurante, pelo que o grupo foi convidado a abandonar o local, já na
madrugada de 06 de novembro de 2022.A
discussão no interior do restaurante continuou fora do espaço e foi
então, segundo o Ministério Público, que o acusado se dirigiu ao carro
que tinha estacionado nas imediações e "acelerou o motor sabendo da
presença das pessoas ali concentradas"."Com
total vontade de causar-lhes a morte ou assumindo a possibilidade de
que isso acontecesse, atropelou várias delas", lê-se no documento."O acusado dirigiu o veículo" para as vítimas "sem lhes dar a oportunidade de se afastarem", acrescentou o Ministério Público.O arguido fugiu do local após o atropelamento, mas foi detido horas mais tarde e está em prisão preventiva desde então.Os
dois filhos, que tinham então 16 e 17 anos e iam com o acusado no carro
quando fugiu, foram entregues à mãe pelas autoridades.No atropelamento morreram uma mulher de 66 anos, dois homens de 68 e 37 e um menor, de 17 anos, todos espanhóis. O julgamento arrancou hoje, em Madrid, com a constituição do jurado popular.Para os próximos dias, está prevista a audição de dezenas de testemunhas e peritos, em sessões já agendadas até 30 de maio. O
acusado será ouvido a seguir, antes das alegações finais de todas as
partes, segundo um guião provisório e inicial do julgamento divulgado
pelo tribunal.A polícia espanhola reforçou
hoje a segurança junto ao edifício do tribunal onde arrancou o
julgamento, por considerar haver possibilidade de confrontos entre as
famílias do acusado e as das vítimas, noticiaram diversos meios de
comunicação espanhóis, citando fontes policiais e judiciais.No entanto, junto ao tribunal concentraram-se hoje apenas jornalistas, que aguardavam a chegada dos advogados e procuradores.