PE exorta Conselho a reconhecer Guaidó como Presidente interino
Venezuela
21 de jan. de 2021, 17:07
— Lusa/AO Online
A posição da assembleia consta de uma
resolução adotada durante a sessão plenária - com 391 votos a
favor, 114 contra e 177 abstenções -, na qual os eurodeputados rejeitam
reconhecer a legitimidade ou legalidade da “Assembleia Nacional
fraudulenta estabelecida a 05 de janeiro de 2021, com base em eleições
não democráticas”.De acordo com esta
resolução do Parlamento – a décima sobre a crise venezuelana adotada
pela assembleia europeia nos últimos três anos -, a União Europeia deve
assim continuar a reconhecer Juan Guaidó como Presidente interino
legítimo da Venezuela.Apesar de os 27
serem unânimes em não reconhecer os resultados das eleições de 06 de
dezembro passado, por entender que as mesmas não foram credíveis,
transparentes e inclusivas, o Conselho deixou de se referir a Guaidó
como Presidente interino, dado o mandato da Assembleia Nacional eleita
em 2015 ter chegado ao fim.A votação desta
nova resolução seguiu-se a mais um debate no hemiciclo com o chefe da
diplomacia europeia, na passada segunda-feira, no qual Josep Borrell
considerou que “o processo eleitorado falhado” na Venezuela foi uma
“valiosa” oportunidade desperdiçada.“As
dificuldades são grandes, há muito caminho a percorrer e, com este
processo eleitoral falhado, acaba de se desaproveitar uma oportunidade
que era muito valiosa para alcançar o objetivo de uma saída política
democraticamente estabelecida para a crise do país”, lamentou.Borrell
garantiu que a UE manterá a “necessária pressão, equilibrada e
seletiva”, e dialogará “com todos os atores dispostos a trabalhar na
restauração democrática do país, a começar, obviamente, por Juan Gaidó”,
líder opositor ao regime de Nicolás Maduro.A 06 de janeiro, a UE “lamentou profundamente” que a Assembleia Nacional
da Venezuela tenha tomado posse, na véspera, com base em “eleições não
democráticas”, e insistiu na necessidade de uma “solução política” para o
atual impasse.A Venezuela tem, desde
janeiro de 2020, dois Parlamentos parcialmente reconhecidos, um de
maioria opositora, liderado por Juan Guaidó, e um pró-regime do
Presidente Nicolas Maduro, liderado por Luís Parra, que foi expulso do
partido opositor Primeiro Justiça, mas que continua a afirmar ser da
oposição.A crise política, económica e
social na Venezuela agravou-se desde janeiro de 2019, quando Guaidó
jurou assumir as funções de Presidente interino do país até afastar
Nicolás Maduro do poder, convocar um governo de transição e eleições
livres e democráticas.