PE deverá ter sessão extraordinária a 28 dezembro para aprovar eventual acordo
Brexit
23 de nov. de 2020, 17:00
— Lusa/AO Online
“Temos
de ser bastante pacientes e inovadores, de forma a conseguir a
ratificação de um potencial acordo antes de 31 de dezembro, o que
significa que, muito provavelmente, teremos de trabalhar durante as
férias do Natal e ter uma sessão plenária extraordinária em que todo o
Parlamento pode reunir-se, provavelmente ‘offline’ [presencialmente],
mas votar hoje em dia em tempos de coronavírus pode ser feito a partir
de casa, a 28 de dezembro”, avançou a deputada europeia da Holanda, Kati
Piri. Durante um seminário virtual
organizado hoje pela representação do PE em Londres, Piri, que é membro
da Comissão Parlamentar dos Negócios Estrangeiros e correlatora para as
negociações pós-Brexit, disse que este período curto cria problemas
devido à necessidade de traduzir o texto para as 23 línguas oficiais da
União Europeia (UE) e escrutinar o conteúdo. “Para
os colegas que não falam inglês, é muito difícil participar no processo
democrático, que já é problemático. A maioria [dos deputados] consegue
trabalhar em inglês, mas temos especialistas da comissão de transportes
ou segurança e privacidade que terão mais problemas em escrutinar o
texto se não o puderem fazer na sua língua nativa”, disse. O
eurodeputado do Luxemburgo Christophe Hansen também lamentou o "pouco
tempo para fazer um escrutínio adequado a um acordo”, mas excluiu a
possibilidade de uma aplicação provisória. “O
Conselho analisou [essa hipótese] na passada semana, mas não é uma
opção nesta altura para o Parlamento Europeu, porque iria criar uma
enorme incerteza jurídica”, justificou, enquanto Kati Piri afirmou que
“politicamente”, a aplicação provisória também não é desejável. Se
for alcançado um acordo, ambos os deputados acreditam que será aprovado
no Parlamento Europeu porque o negociador chefe da UE, Michel Barnier,
está em contacto com Estados membros, Conselho Europeu e PE para poder
fazer eventuais cedências. “O Parlamento
[Europeu] vai dar o consentimento porque o negociador chefe [Michel
Barnier] conhece o mandato dos Estados membros e sabe exatamente quais
são as flexibilidades e os limites [red lines]. (…) Se houver acordo,
será suficientemente equilibrado para o PE dar o seu consentimento,
senão não vai haver acordo”, garantiu Hansen.As
negociações de alto nível entre a União Europeia (UE) e o Reino Unido
sobre o acordo pós-Brexit continuam hoje por videoconferência, após
terem sido suspensas na quinta-feira, devido a um caso de covid-19 na
equipa comunitária.Na passada sexta-feira,
a presidente da Comissão Europeia reconheceu que as negociações com o
Reino Unido sobre as relações no pós-‘Brexit’ conheceram progressos nos
últimos dias, mas advertiu que “ainda faltam uns bons metros” para a
meta.Durante uma conferência de imprensa
em Bruxelas, Ursula von der Leyen, questionada sobre notícias que dão
conta de que 95% de um acordo de livre comércio entre as partes já está
concluído, admitiu que as negociações conhecem agora um melhor momento.“É
verdade que depois de semanas difíceis, com progressos muito, muito
lentos, vimos nos últimos dias melhores progressos e mais movimento em
questões importantes. Isto é bom”, declarou.No
entanto, advertiu que “ainda faltam uns bons metros para a linha de
chegada”, ou seja, “resta muito trabalho pela frente”, e “a pressão do
tempo é elevada, sem dúvida”.Os dois lados
estão em contrarrelógio para concluir, até final do ano, um acordo de
comércio pós-Brexit que possa entrar em vigor em 2021, quando cessa o
período de transição que mantém o acesso do Reino Unido ao mercado único
europeu.O Reino Unido saiu da UE em 31 de
janeiro e beneficia de um período de transição que mantém o acesso ao
mercado único e união aduaneira do bloco europeu até o final deste ano.Caso
não consigam negociar um pacto bilateral, a partir de 01 de janeiro de
2021, o Reino Unido e a UE passarão a negociar com base nas
regulamentações genéricas menos vantajosas da Organização Mundial do
Comércio.