PE aprova que Comissão contraia empréstimo de 750 mil ME para plano de recuperação
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16 de set. de 2020, 16:57
— Lusa/AO Online
A proposta de decisão votada em plenário
aumenta o limite máximo dos recursos próprios da União Europeia (UE) e
terá agora que ser aprovado por unanimidade pelo Conselho Europeu.O
eurodeputado José Manuel Fernandes (PSD), correlator do PE sobre os
recursos próprios, disse que "o parecer do PE dá luz verde para a
concretização do fundo de recuperação de 750 mil milhões de euros"."Hoje,
fez-se história no Parlamento Europeu. Durante 32 anos, a UE não dispôs
de novos recursos próprios. A Comissão Europeia nunca recorreu aos
mercados para contrair um empréstimo desta envergadura", salientou
ainda.Segundo um comunicado, os
eurodeputados aceleraram o processo de modo a que o fundo de recuperação
esteja disponível em 01 de janeiro de 2021. "Nesse
sentido, instamos o Conselho a aprovar, ainda esta semana, a decisão
sobre os recursos próprios e a iniciar o processo de ratificação por
parte dos parlamentos nacionais", disse o correlator.Os
eurodeputados querem também um calendário juridicamente vinculativo
para a introdução de novos recursos próprios, propondo uma reforma
ambiciosa do sistema. Estas novas fontes de receitas da UE deverão
cobrir os custos dos empréstimos contraídos ao abrigo do instrumento de
recuperação ("Next Generation EU").A
recuperação tem de ser financiada de forma sustentável, por exemplo,
através da aplicação de impostos aos poluidores transnacionais e às
empresas multinacionais, e não deve sobrecarregar as próximas gerações,
defende o PE.Para além de uma nova
contribuição nacional calculada com base nos resíduos de embalagens de
plástico não reciclados, a partir de 2021, os eurodeputados querem que
sejam introduzidos novos recursos próprios.Segundo
a proposta, a partir de 01 de janeiro de 2021 deverá haver um recurso
próprio baseado nas receitas provenientes do regime de comércio de
licenças de emissão da UE, dois anos depois deverão ser introduzidos
receitas provenientes de um imposto sobre os serviços digitais e no
mecanismo de ajustamento das emissões de carbono nas fronteiras.A 01 de janeiro de 2024, a UE deverá dispor de recursos próprios
provenientes de um imposto sobre transações financeiras e dois anos
depois terá receitas baseadas numa matéria coletável comum consolidada
do imposto sobre as sociedades.O parecer
do PE sobre os recursos próprios é um passo essencial no processo
legislativo. O Conselho da UE terá ainda de adotar a decisão por
unanimidade e esta só poderá entrar em vigor após ter sido ratificada
pelos parlamentos de todos os Estados-membros, em conformidade com as
respetivas normas constitucionais. A fim
de assegurar a transição para o sistema revisto de recursos próprios e
de a fazer coincidir com o exercício orçamental, a decisão deverá ser
aplicável a partir de 01 de janeiro de 2021.