O Movimento Ponta Delgada para Todos (PDLPT) e o Partido Chega/Açores manifestaram preocupação relativamente a atrasos registados em obras de habitação no concelho, financiadas pelo Plano de Recuperação e Resiliência (PRR).Através nota de imprensa, o PDLPT esclarece que, segundo as informações obtidas, os edifícios multifamiliares previstos para São Sebastião, Fajã de Baixo e Arrifes “não estarão concluídas até 31 de agosto de 2026, ficando, consequentemente, comprometido o respetivo financiamento no âmbito do PRR”.No conjunto destes edifícios, estão em causa 73 habitações, correspondentes a um investimento global de cerca de 11,8 milhões de euros, cujo financiamento estava inicialmente previsto ser integralmente assegurado pelo PRR.O PDLPT explica ainda que, na reunião da Câmara Municipal de 19 de agosto, foi debatida a situação da empreitada de construção do edifício multifamiliar na freguesia de São Sebastião (Calço da Má Cara), com um investimento de cerca de dois milhões de euros. O prazo de conclusão da obra, já anteriormente objeto de prorrogação, encontrava-se fixado em 21 de agosto.“Não é aceitável continuar a prolongar sucessivamente os prazos de uma obra cujo calendário de execução tem sido reiteradamente incumprido, tanto mais que, desde o início da empreitada, se tem verificado, mês após mês, uma presença de mão de obra significativamente inferior à prevista”, prossegue a nota de imprensa.O Chega também abordou a questão da falta de mão de obra. Pedro Rodrigues, vereador do partido, questionou a capacidade de planeamento das empresas responsáveis pelas empreitadas: “Se sabem que não têm mão de obra suficiente, por que razão concorrem às obras assumindo prazos que depois não conseguem cumprir?”.Também segundo nota de imprensa, o vereador considera que a Câmara Municipal de Ponta Delgada não pode assumir uma “posição passiva” perante estes atrasos, defendendo que o município deve exercer “maior pressão e fiscalização” sobre as empreitadas, utilizando “todos os meios ao seu alcance para garantir o cumprimento dos prazos”.“Estamos a falar de dinheiro público. A câmara tem de pressionar, fiscalizar e fazer tudo o que estiver ao seu alcance para garantir o cumprimento dos prazos. Estão em causa cerca de 20 milhões de euros e não podemos correr o risco de serem os contribuintes pagar a fatura”, refere Pedro Rodrigues.Para o dirigente, os atrasos no cumprimento de prazos devem também servir de alerta para a necessidade de repensar a resposta à crise habitacional.O Chega considera ainda que, por si só, o setor público não conseguirá responder às “necessidades de habitação existentes”, defendendo, deste modo, a criação de condições para que “não se dificulte o investimento privado”.“Se queremos fixar pessoas nos Açores, temos de construir mais, reduzir a burocracia e deixar quem quer investir em habitação fazê-lo”, concluiu Pedro Rodrigues, dando como exemplo o caso dos apartamentos que foram adquiridos por um investidor privado por “quase cinco milhões de euros”, tendo este enfrentado “cerca de cinco anos de burocracia” antes de poder avançar.