PDLPT critica estratégia da Carta Municipal de Habitação de Ponta Delgada
Hoje 10:39
— Ana Carvalho Melo
O Movimento Ponta Delgada para Todos (PDLPT) apresentou o seu parecer
sobre a Carta Municipal de Habitação de Ponta Delgada, manifestando
críticas à estratégia definida no documento e considerando que várias
propostas não encontram acolhimento na 2.ª revisão do Plano Diretor
Municipal.Em nota enviada à comunicação social, o PDLPT realça a sua
“preocupação relativamente à estratégia definida na proposta da Carta
Municipal de Habitação (CMH), considerando que a limitada criação de
habitação pública nas freguesias rurais e na coroa urbana da cidade
tende a concentrar a resposta habitacional em segmentos populacionais em
situação de maior vulnerabilidade socioeconómica”.Neste contexto, o
movimento discorda de uma abordagem que promova a diferenciação
territorial das respostas habitacionais com base em critérios
socioeconómicos, bem como da menor oferta de soluções habitacionais nas
freguesias rurais.O PDLPT revela, no entanto, que se associa à opção
do Município de desenvolver, na zona central da cidade, soluções
habitacionais diversificadas, que integrem habitação acessível dirigida à
classe média, jovens, profissionais qualificados e população em
situação de vulnerabilidade, promovendo uma maior coesão social.Nesse
sentido, Pedro Alvernaz, em representação do Movimento PDLPT, defende
que o concelho deve assegurar respostas habitacionais distribuídas de
forma equilibrada por todas as freguesias, urbanas e rurais, evitando a
criação de zonas socialmente segregadas e promovendo a fixação
populacional e a dinamização da atividade económica através da criação
de novas centralidades territoriais.O movimento alerta ainda para a
proposta de reconversão do complexo SINAGA para fins habitacionais,
considerando que a mesma contraria as orientações constantes no
Relatório da Proposta Orientadora elaborado pela Ordem dos Arquitectos –
Secção Regional dos Açores, o qual aponta para a construção de
habitação na área adjacente à Rua do Carvão.Acrescenta ainda que
considera igualmente preocupante que a CMH de Ponta Delgada, apesar de
assentar num diagnóstico globalmente adequado das necessidades
habitacionais do concelho, revele fragilidades na definição das soluções
propostas. “Verifica-se ainda a inclusão, na Proposta de Declaração
Fundamentada de Carência Habitacional (DFCH), de mecanismos e objetivos
estratégicos com elevada semelhança aos utilizados no município da
Covilhã, sendo ainda identificada, na página 219 do documento, uma
referência indevida à ‘Covilhã’ em substituição de ‘Ponta Delgada’”,
destaca, referindo que o movimento apresentou propostas de alteração à
DFCH, no sentido de assegurar maior coerência entre o diagnóstico e os
instrumentos de execução.