PCP quer perceber se há mais casos como o de Alexandra Reis
TAP
7 de mar. de 2023, 09:36
— Lusa/AO Online
Em
declarações aos jornalistas na Assembleia da República, o deputado do
PCP Bruno Dias considerou que os dados divulgados pela Inspeção-Geral
das Finanças (IGF) e as decisões tomadas pelo Governo vêm “confirmar
aquilo que era uma inevitabilidade”.“Estávamos
perante uma prática verdadeiramente inaceitável, perante uma
ilegalidade que tinha de ter uma consequência”, defendeu. O
deputado do PCP defendeu que é preciso saber “quantas Alexandras Reis
mais poderão existir”, uma vez que o relatório atual da IGF só abordou o
caso em concreto da indemnização de 500 mil euros da ex-secretária de
Estado.Bruno Dias salientou que esse tipo
de indemnizações constitui "uma prática verdadeiramente inaceitável, que
é a marca da gestão privada que impuseram à TAP", e que "levanta as
maiores preocupações" ao partido.Nesse
âmbito, Bruno Dias referiu que o PCP não vai desistir “de apurar e de
ter o esclarecimento do conjunto dos factos e das explicações que a
gestão privada teve na companhia, nomeadamente em situações como esta”,
mas vai também procurar perceber como foi feita a privatização da TAP em
2015.“Queremos saber todo o conjunto de
opções estratégicas, profundamente lesivas, penalizadoras para a TAP e
para o interesse nacional, que foram levadas a cabo ao longo destes anos
e que valem 800, 900, mil Alexandras Reis, tendo em conta o valor que
está em causa”, disse.Bruno Dias referiu
ainda que a questão que se coloca agora é perceber se a conclusão do
Governo perante a atual situação “é insistir e acelerar no processo de
privatização da TAP”, incluindo do ponto de vista “das nomeações para a
próxima gestão da companhia”.“Há uma
conclusão que claramente devia ser retirada e que o Governo está a
negar, é que a TAP está em risco no caso de voltar a ficar em mãos
privadas e dos grupos económicos, e deve ser defendida a TAP, os
trabalhadores da TAP, e isso significa parar este processo de
privatização”, defendeu. Questionado sobre
a escolha de Luís Silva Rodrigues, atual CEO da SATA, para presidente
executivo da TAP, Bruno Dias considerou que essa nomeação levanta “as
maiores preocupações”, uma vez que Silva Rodrigues também seguiu uma
estratégia de privatização da companhia açoriana.“A
orientação que claramente está a ser dada é ‘tudo para a frente com a
privatização da companhia, dê lá por onde der, custe o que custar’, e
isto é verdadeiramente inaceitável, é algo que tem de ser travado no
nosso país pela defesa do interesse nacional”, disse. A
IGF concluiu que o acordo celebrado para a saída de Alexandra Reis da
TAP é nulo, adiantou hoje o Governo, que vai pedir a devolução da
indemnização.Na sequência das conclusões
do relatório, o Governo exonerou o presidente do Conselho de
Administração e a presidente executiva da TAP, Manuel Beja e Christine
Ourmières-Widener, e anunciou que escolheu Luís Silva Rodrigues, que
atualmente lidera a Sata, para assumir ambos os cargos.