PCP quer municípios a pronunciar-se sobre mapa da regionalização e referendo até 2028
Hoje 15:06
— Lusa/AO Online
As
iniciativas do PCP para o debate parlamentar desta sexta-feira sobre a
regionalização - um projeto de resolução que prevê a criação de um
programa de trabalho e uma proposta de Lei-Quadro das Regiões
Administrativas - foram apresentadas esta tarde, numa conferência de
imprensa na Assembleia da República, pela líder parlamentar do partido,
Paula Santos.No projeto de resolução, a
bancada comunista propõe, no âmbito de um novo programa de trabalho,
que, até ao final do ano, a Assembleia da República promova audições
sobre a regionalização e, até 30 de junho de 2027, convide as
assembleias municipais do continente a “pronunciarem-se sobre o mapa das
regiões administrativas a submeter a referendo”.O
partido pretende que este pronunciamento dos municípios parta de duas
delimitações: o mapa correspondente às cinco CCDR existentes ou o mapa
correspondente às oito regiões que foram submetidas a referendo em 1998.Atualmente,
as CCDR correspondem à região Norte, Centro, Lisboa e Vale do Tejo,
Alentejo e Algarve. Já o referendo de 1998 previa as regiões de Entre
Douro e Minho, Trás-os-Montes e Alto Douro, Beira Litoral, Beira
Interior, Estremadura e Ribatejo, Lisboa e Setúbal, Alentejo e Algarve.Posteriormente,
em caso de aprovação de uma nova lei-quadro das regiões administrativas
no parlamento, antecipa o PCP, os deputados devem aprovar até ao fim de
2027 as perguntas do referendo a submeter à apreciação do Tribunal
Constitucional e ao Presidente da República. Os comunistas propõem que
este referendo se realize antes do final de julho de 2028.“Em
caso de resposta afirmativa dos cidadãos eleitores, a Assembleia da
República aprova até ao final do ano civil de 2028 as leis de
instituição em concreto de cada região administrativa, de modo que a
eleição democrática dos seus órgãos representativos possa ser efetuada
nas eleições autárquicas de 2029”, escreve também o partido.Na
exposição de motivos, o PCP sublinha a sua discordância da realização
do referendo, mas ressalva que esse é um “facto com que tem de
conviver”.O partido apresentou também um
projeto de Lei-Quadro das Regiões Administrativas para definir, explicou
Paula Santos, quais são os órgãos de gestão das regiões administrativas
e quais as suas competências. “O PCP tem
sido um partido que, de uma forma muito séria e firme, tem colocado, de
facto, esta necessidade de dar concretização a este preceito da nossa
Constituição que tem vindo a ser sucessivamente adiado”, frisou,
referindo o facto de a lei fundamental prever a criação de regiões
administrativas, porém apenas após aprovação em referendo.A
líder da bancada comunista criticou ainda o PSD e o PS por, apesar de
“afirmarem o seu compromisso com as regiões administrativas e a sua
criação”, recuarem “no momento da verdade” e não viabilizarem o início
deste processo.Paula Santos argumentou ainda que as recentes tempestades revelaram a necessidade de avançar com a regionalização.“Se
houvesse regiões administrativas, naturalmente também tínhamos uma
estrutura mais coerente do ponto de vista da organização do Estado com
outros meios e com outra capacidade de intervenção”, defendeu.