PCP quer menos alunos por turma e fim dos exames do 9.º ano nas escolas públicas
19 de jul. de 2022, 08:51
— Lusa/AO Online
Em
declarações à agência Lusa, a deputada do PCP Diana Ferreira detalhou
as quatro iniciativas legislativas – três projetos de lei e um projeto
de resolução – a que o partido deu entrada no parlamento com as
“respostas que são necessárias dar face aos problemas que a escola
pública enfrenta atualmente e considerando a aproximação do próximo ano
letivo”.“Preocupa-nos profundamente que o
Governo continue a não querer resolver os problemas que se sentem de
forma estrutural na escola pública”, criticou, apontando “falta de
vontade política” ao executivo de maioria absoluta de António Costa para
dar respostas a estes problemas.Os
problemas da escola, segundo a deputada comunista, existem há já vários
anos “fruto de opções políticas de vários governos”, mas foram
acentuados e agravados pela pandemia de covid-19.“Já
tínhamos entregado nesta sessão legislativa um alargado conjunto de
propostas no âmbito da educação. Entendemos que face à aproximação do
início do ano letivo era importante entregarmos estes projetos de lei
para a redução do número de alunos por turma e a eliminação dos exames
do 9.º ano”, referiu.De acordo com Diana
Ferreira, estes exames agravam desigualdades e acabam “por desvalorizar a
avaliação contínua, o próprio contexto de sala de aula e o próprio
papel do docente”.Para além destas duas
propostas, o PCP apresenta outras duas "para os profissionais da
educação”, a primeira das quais para os psicólogos que “têm uma
importância reconhecida no contexto escolar, mas que depois não tem
correspondência nem com o tipo de vínculo nem com o tipo de valorização
da própria carreira que estes profissionais deveriam ter”.“Há
necessidade de contratação de psicólogos, mas também a necessidade de
se garantir a estes profissionais condições de trabalho e salários
dignos assume especial importância”, explicou.Assim,
com este projeto de lei sobre o regime de contratação e colocação de
psicólogos nos estabelecimentos públicos de ensino, é proposto pelo PCP
um processo de recrutamento e de seleção de psicólogos, com o devido
vínculo, “seguindo um rácio que a própria ordem propõe de um psicólogo
para cada 500 alunos”. Já no projeto de
resolução – sem força de lei – os comunistas recomendam ao Governo
“medidas de valorização dos trabalhadores da educação e da escola
pública” como o reforço do investimento, a valorização e dignificação
dos trabalhadores da educação, a contratação, em número e com vínculo
adequado, dos trabalhadores necessários ao bom funcionamento da escola
pública ou o combate à precariedade.O PCP
quer ainda que o executivo se foque no rejuvenescimento do conjunto dos
trabalhadores da escola pública, cuja média de idades “é muito elevada”,
e combata o desgaste profissional.“Nós
estamos a poucos meses do início do ano letivo e a questão tanto da
carência de professores como da realidade de precariedade dos
profissionais de educação é uma situação que se mantém e que não tem
resolução em nenhuma das medidas que o Governo tem apresentado nem o
Governo do PS tem assumido a resolução em definitivo e de forma
estrutural desses mesmos problemas”, lamentou.A
deputada do PCP manifestou ainda preocupação com a falta de reforço por
parte do Governo em respostas da ação social escolar e com as
“consequências de uma chamada transferência de competências que mais não
é do que uma transferência de encargos para as autarquias e que vai
agravar desigualdades entre as escolas”.