PCP preparado para eleições antecipadas mas afasta cenário para já

4 de mai. de 2023, 10:21 — Lusa/AO Online

“Se formos para eleições, estamos preparados. O que achamos é que essa questão não se coloca neste momento e até acho que está muito longe daquilo que a maioria do nosso povo entende que deve ser o caminho”, considerou Paulo Raimundo, pouco antes do início de uma reunião dos líderes dos partidos que integram a esquerda no Parlamento Europeu, em Bruxelas.O secretário-geral comunista rejeitou entrar em discussões para empolar “eventuais crispações” entre o Presidente da República e o primeiro-ministro por considerar que estão a “desviar a atenção daquilo que é fundamental”: “Concentremo-nos nos problemas das pessoas, isso é que é preciso resolver, se houver eleições estamos preparados para isso”.Acompanhado pelo membro da Comissão Política do Comité Central do PCP João Ferreira, antigo eurodeputado, e pelos dois eurodeputados do partido, Sandra Pereira e João Pimenta Lopes, o dirigente comunista considerou que “não há razão nenhuma” para dissolver a Assembleia da República, criticando a “permanente afirmação de vai haver, não vai haver, é hoje, é amanhã, para o ano”.Na opinião de Paulo Raimundo, a ideia de dissolução é alimentada por Marcelo Rebelo de Sousa.“Podemos fazer muitas críticas ao Presidente da República, agora há uma coisa que não podemos dizer: é que o Presidente não tem falado. Aliás, se há coisa que tem feito é falado sobre a situação, não se pode dizer que tenha a escondido o seu pensamento”, afirmou.Ao Presidente da República, o secretário-geral comunista elogiou “o dom da palavra” e considerou que “é preciso também ter em conta a [sua] opinião”.“Se o Presidente perguntasse a minha opinião, diria aquilo que disse aqui: devíamos considerar toda a nossa força, todos os instrumentos que temos ao nosso dispor, para resolver os problemas das pessoas. Quem nos está a ouvir só está preocupado em saber se vai ou não haver eleições porque a gente fala nisso todos os dias”, defendeu.Paulo Raimundo recordou que em 2021, aquando da dissolução do parlamento por causa do chumbo da proposta de Orçamento do Estado para 2022, “fez-se uma chantagem brutal” em nome da estabilidade política, mas “depois de uma maioria absoluta a instabilidade está aí”.O secretário-geral do PCP desvalorizou o almoço, na quarta-feira, entre os presidentes do PSD, Luís Montenegro, e da IL, Rui Rocha, por considerar que "é normal" que os dois partidos de direita "encontrem pontos de convergência", acusando-os de conivência com os interesses dos grandes grupos económicos.