PCP lamenta Centeno do “lado dos constrangimentos” da UE e “carrasco” de Itália
2 de dez. de 2018, 11:59
— Lusa/Ao online
“Este primeiro ano confirma aquilo que o PCP disse há um ano. A designação de Mário Centeno como presidente do Eurogrupo não representou uma decisão positiva para Porutgal, não significou que os interesses nacionais tivessem passado a estar melhor defendidos nas instituições da União Europeia, bem pelo contrário”, disse o eurodeputado comunista João Ferreira, em declarações à Lusa a propósito do primeiro ano de mandato de Mário Centeno à frente do conjunto de 19 estados-membros com moeda única.Para este membro do Comité Central do PCP, “Mário Centeno não apenas se colocou do lado da defesa dos constrangimentos, daquilo que já existe e é negativo, como o próprio defendeu e está a defender o agravamento daquilo que já existe”.“Quando vemos o ministro das Finanças português a virar-se para o Governo de um outro estado-membro soberano a dizer ‘esse orçamento não, façam outro’, isto é profundamente lamentável de um país que sentiu como poucos as consequências das ameaças, pressões e chantagens da UE, em lugar de as recusar, que esteja ele próprio a assumir papel de carrasco na realização dessas chantagens”, lastimou João Ferreira, referindo-se ao diferendo entre as instituições europeias e o estado italiano.Questionado sobre o porquê de Mário Centeno manter altos níveis de popularidade nos diversos estudos de opinião, o eurodeputado comunista argumenta que algumas das políticas seguidas pelo executivo minoritário socialista “não são populares”.“Seguramente que não são populares as consequências de algumas das políticas que Mário Centeno tem defendido: não é popular a falta de resposta por insuficiência de investimento público aos problemas dos serviços públicos, dos transportes, do Serviço Nacional de Saúde, da educação, que resultam do amarramento de Mário Centeno e do Governo do PS a regras que dificultam ou inviabilizam essa capacidade de resposta”, concluiu.