PCP entrega proposta para garantir direito à greve dos profissionais da PSP
21 de abr. de 2023, 12:04
— Lusa/AO Online
O
grupo parlamentar do PCP propõe a revogação do ponto da Lei nº14/2002
que prevê, atualmente, a restrição dos profissionais da Polícia de
Segurança Pública (PSP) ao exercício do direito à greve.Na
proposta, os comunistas relembram o dia da manifestação dos “secos e
molhados”, há 34 anos, causada pela “mesma reivindicação” e que levou à
“carga policial de polícias contra polícias com uso de canhões de água,
determinada pelo Governo do PSD de Cavaco Silva”.“Depois
de muitas tentativas de impedimento, boicote e perseguição aos polícias
que lutavam por melhores condições de trabalho e pelo direito de
representação sindical, finalmente, em 2002, foi aprovada a Lei nº
14/2002, de 19 de fevereiro. Ainda que contendo insuficiências e
limitações, foram então criados instrumentos fundamentais para o
exercício da liberdade sindical e do direito de negociação coletiva dos
profissionais da PSP”, lê-se na proposta.O
PCP defende que “é tempo de proceder à revisão” da lei “no sentido de
alterar o regime de restrições da liberdade sindical para que este não
seja um instrumento para dificultar a ação reivindicativa dos polícias”.Os
comunistas argumentam que “a proibição imposta aos profissionais da PSP
de recorrer à greve para fazer valer os seus direitos ou
reivindicações, mais de 20 anos após o reconhecimento do seu direito à
constituição de sindicatos, é um anacronismo que não faz qualquer
sentido e que não tem qualquer justificação válida”.O
grupo parlamentar do PCP refere que o direito à greve está consagrado
no artigo 57º da Constituição da República Portuguesa (CRP) “como um
direito fundamental dos trabalhadores” e evoca, também, o artigo 270º da
CRP que estabelece a possibilidade de não ser admitido o direito à
greve às forças de segurança “na estrita medida das exigências próprias
das respetivas funções”.“Nestes termos,
nada na Constituição impede o legislador de garantir o direito à greve
dos profissionais da PSP, tal como já sucede há muitos anos com
profissionais de outras forças e serviços de segurança como a Polícia
Judiciária e o SEF, sem que daí tenham decorrido quaisquer consequências
lesivas do cumprimento das missões por parte dos profissionais que as
integram”, concluem os deputados do PCP.Também
para assinalar os 34 anos da carga policial sobre elementos da PSP, a
Associação Sindical dos Profissionais da Polícia (ASPP/PSP) inicia uma
discussão pública sobre o direito à greve da Polícia de Segurança
Pública, iniciativa que pretende realizar ao longo deste ano.“Passados
49 anos do 25 de Abril e 34 anos dos ‘secos e molhados’, em nome da
democracia não há razões para este impedimento”, disse à Lusa o
presidente da ASPP, Paulo Santos, considerando que o direito à greve na
PSP é “algo incontornável numa sociedade democrática e livre”.