PCP denuncia erro da Segurança Social com ex-trabalhadoras da Cofaco do Pico
24 de set. de 2020, 10:32
— Lusa/AO Online
Depois de visitar as ilhas do Pico, São Jorge e
São Miguel, a eurodeputada afirmou hoje, em conferência de imprensa
tida em Ponta Delgada, que “a região tem muitas potencialidades de
desenvolvimento, que não estão a ser todas aproveitadas”, como é o caso
das conserveiras.Sandra Pereira mencionou a
“necessidade de modernização daquela indústria” na fábrica da Santa
Catarina, em São Jorge, e apontou para a “questão da conserveira
Cofaco”, no Pico, que despediu 160 mulheres e ainda não há solução para
aquilo que está prometido, que era um posto de trabalho”.A
comunista lembra que o partido questionou, em julho, a Comissão
Europeia se tinha recebido algum pedido de financiamento para a
construção desta estrutura, mas a instituição, que tem três meses para
responder, ainda não o fez.Depois de
reunir com várias ex-trabalhadoras, diz ter ficado “preocupada porque a
aflição delas é grande, porque muitas delas já não têm subsídio de
desemprego, muitas delas não tiveram depois aquilo que é o subsequente,
algumas diziam que gostavam que os filhos fossem para a universidade,
mas perante esta incerteza do que é o futuro, se vão ou não ter o seu
posto de trabalho, os filhos já não vão para a universidade”.A
eurodeputada denuncia, também um “erro administrativo lamentável de
serviços depositarem dinheiro nas contas destas mulheres e dizerem que
eram retroativos, mas depois tiveram de o devolver”.Em
causa, adianta, estão transferências da Segurança Social, com quantias
que diferem, mas, ao que apurou, estão entre os 400 e os 1.500 euros.A
Segurança Social está agora a fazer pedidos de devolução destes
valores, depois de ter explicado a algumas destas mulheres que diziam
respeito a retroativos e a outras que “era uma medida da covid-19 que
prolongava o subsídio de desemprego”.Questionada
pela Lusa sobre esta questão, a União de Sindicatos de Angra do
Heroísmo, que representa estes trabalhadores, disse não ter conhecimento
da situação.O parlamento aprovou, na
sexta-feira passada, uma proposta do PSD que dá força de lei à majoração
dos apoios sociais para estas trabalhadoras, que já tinha sido inscrita
no Orçamento de Estado para 2020, por proposta do PCP, mas que ainda
não foi concretizada.Ainda sobre a
indústria conserveira, a comunista referiu que a Santa Catarina, em São
Jorge, precisa de uma modernização, que “permitiria, até, um melhor
aproveitamento da matéria prima” reforçando que, “mantendo-se o mesmo
número de postos de trabalho, poderia aumentar-se a produção”.A
parlamentar considera “bastante irónico” que esta empresa, “por ser uma
empresa pública, não pode aceder a fundos europeus”, esclarecendo que
“é a mesma questão da Caixa Geral de Depósitos, que não pode ter injeção
de capital do Estado, mas depois um banco privado pode”.“Há
aqui uma concorrência desleal muito grande entre o público e o privado,
porque, ironicamente, o público não pode ter acesso a um tipo de
financiamento a que o privado pode, sobretudo numa empresa que é
estratégica para a região – a Santa Catarina é o maior empregador de São
Jorge”, prosseguiu.A eurodeputada frisou
ainda a importância dos apoios comunitários para a agricultura,
nomeadamente do POSEI, que deve ser reforçado.Sobre
esta matéria, o partido vem “desde o início do ano a alertar para o
facto de não se atrasarem as negociações do orçamento”, já que 2020 está
a terminar e “o orçamento tem de ser executado em 2021, e, portanto,
aceita-se qualquer cenário, mesmo que seja um cenário com reduções que
prejudicam o país”, rematou.