PCP critica propostas do Governo dos Açores que "irão agravar" situação da região
12 de abr. de 2021, 14:36
— Lusa/AO Online
A direção regional do PCP nos
Açores (DORAA), que esteve reunida no sábado na cidade da Horta, na ilha
do Faial, reafirma que o Plano e o Orçamento da Região para 2021
"continuam uma política fundamentalmente errada, que agrava os problemas
dos açorianos". "Embora tenha havido uma
mudança das forças políticas do Governo Regional, Plano e Orçamento
continuam a não dar respostas aos grandes problemas da nossa região, que
têm tendência a agravar-se. O Governo Regional de PSD, CDS-PP e PPM,
com apoio parlamentar do Chega e Iniciativa Liberal, em vez de desenhar
uma nova política, insiste nos erros. Em vez de procurar soluções, adia
ou esconde os problemas", aponta o partido num comunicado enviado às
redações em que apresenta as conclusões da reunião.O
PCP, que perdeu representação parlamentar nas regionais do ano passado,
sustenta que, "em lugar de ações concretas e projetos claramente
definidos, o governo de direita suportado pela extrema direita preferiu
apenas o anúncio de boas intenções". "O
Plano e o Orçamento propostos não correspondem às necessidades da região
e dos açorianos, pelo que se irá agravar ainda mais a situação social e
económica da região", vinca o partido, considerando que a política do
executivo “falha essencialmente no desenvolvimento do setor produtivo e
coloca os agricultores e pescadores açorianos à beira da extinção das
suas atividades". O PCP/Açores refere uma
situação económica e social "preocupante", indicando que "os Açores têm
90 mil pessoas a viver em situação de pobreza ou exclusão social, o que
corresponde a 36,4% da população total" do arquipélago."Cerca
de 68% das famílias sentem dificuldades financeiras para suportar as
suas despesas e 7% das famílias admitem estar em situação crítica para
poderem fazer face aos seus encargos", é indicado.O
salário mensal de um trabalhador açoriano, lembra o partido, é em média
109 euros mais baixo quando comparado com o de qualquer outro
trabalhador português.No entender do PCP, é
necessário enfrentar a situação que se vive atualmente com “medidas de
valorização dos salários, aumento dos rendimentos dos açorianos,
dinamização do mercado interno, diminuição da dependência externa e
valorização do setor produtivo".De entre
as medidas propostas está o aumento do acréscimo regional ao salário
mínimo nacional de 5% para 7,5%, assim como aumentos do complemento
regional de pensão, do abono de família e da remuneração complementar
num nível "superior ao proposto" pelo Governo Regional, que "fica aquém
das necessidades".O partido defende ainda a
necessidade de "viabilização e modernização" da empresa de conservas de
atum Santa Catarina, em São Jorge, e "investimentos em obras públicas
que sejam estruturantes para o desenvolvimento de cada ilha, e para a
prestação de serviços às respetivas populações".