PCP antecipa aprovação da lei laboral e avisa que “trabalhadores não perdoam traição”
Hoje 17:02
— Lusa/AO Online
“É uma coisa que
temos da experiência da História: é que os trabalhadores perdoam muita
coisa, não perdoam é a traição. E aqueles que amanhã se associarem a
este pacote laboral vão ter que contar com isso para amanhã e para o
futuro”, avisou Paulo Raimundo, em declarações aos jornalistas na
Assembleia da República. O líder dos
comunistas falava após o debate parlamentar sobre a reforma laboral
apresentada pelo Governo e, na leitura de Paulo Raimundo, confirma-se o
“namoro entre o PSD e o Chega, no sentido de amanhã concretizar o golpe
da aprovação do pacote laboral”.“Pode-se
dizer que se confirma a tática dos troca-tintas, a tática daqueles que
dão cambalhotas, daqueles que dizem uma coisa hoje e fazem outra
amanhã”, criticou. Paulo Raimundo acusou
os partidos à direita, PSD, CDS-PP, Chega e IL, de quererem “impor na
vida dos trabalhadores ainda mais precariedade”, maior desregulação de
horários de trabalho, permitir despedimentos sem justa causa e
“pressionar ainda mais os salários”, insistindo que “esse é o conteúdo
do pacote laboral”.Para o líder comunista,
“tudo indica” que a legislação será aprovada na sexta-feira e que, a
confirmar-se esse cenário, começará “uma nova fase”, seguindo o diploma
para o trabalho em especialidade.“Essa
fase da especialidade é também, em si mesma, um momento de luta e de
ação institucional, mas também na rua e nas empresas e nos locais de
trabalho”, antecipou.Raimundo insistiu que
“se aqueles que pensam que consumado amanhã o golpe, consumada amanhã a
traição, se veem livres deste processo, estão muito enganados”. O
secretário-geral do PCP salientou que os trabalhadores já deram “uma
demonstração clara da sua determinação para continuarem a luta até à
derrota do pacote laboral”.Depois de não
ter alcançado acordo na Concertação Social, a proposta de lei do Governo
deu entrada na Assembleia da República a 18 de maio.Entre
as medidas apontadas como 'traves mestras', o Governo manteve a versão
inicial do seu anteprojeto relativa ao prazo dos contratos, prevendo que
volte a ter um máximo de três anos no caso dos contratos a termo certo e
de cinco anos a termo incerto, insiste no regresso do banco de horas
individual, bem como na revogação da norma relativa à proibição de
recurso ao ‘outsourcing’ [contratação de trabalho externo] durante um
ano após despedimentos.