PCP admite “qualquer sentido e voto” na generalidade
OE2021
13 de out. de 2020, 12:14
— Lusa/AO Online
“O PCP admite qualquer sentido de voto. Vamos
fazer uma avaliação mais profunda do documento”, afirmou, em conferência
de imprensa, na Assembleia da República, o líder parlamentar dos
comunistas, João Oliveira, numa “primeira avaliação” ao orçamento,
escassas doze de horas depois de ter sido entregue no parlamento.Nessa
análise “mais profunda”, explicou João Oliveira, o partido quer “ver se
há correspondência entre os anúncios e intenções e o que consta
efetivamente no Orçamento do Estado” e é em função disso que tomará uma
decisão.Para
os comunistas, a proposta de orçamento do Governo “não responde aos
problemas estruturais” do país nem dá resposta à situação social causada
pela pandemia, embora tenha acolhido de “forma muito parcial” algumas
propostas feitas pelo partido.São
disso exemplo o aumento extraordinário de pensões em 10 euros, a
extensão de creches gratuitas, a contratação de trabalhadores para o
Serviço Nacional de Saúde ou a regulamentação do suplemento de
insalubridade, penosidade e risco.João
Oliveira insistiu nas propostas para “valorizar salários e direitos dos
trabalhadores, “aumentar as pensões e prestações sociais” ou ainda uma
“justa política fiscal que alivie a tributação sobre os rendimentos mais
baixos e tribute efetivamente o grande capital”.Nos
próximos dias, o PCP vai aprofundar a análise do orçamento, de modo a
ver se os anúncios do Governo correspondem com o que está no texto do
orçamento, “recusando chantagens e pressões” e prometeu que “continuará a
lutar” pelas suas “propostas e soluções”.“Será
em função da resposta global que se exige ao conjunto dos problemas
nacionais que o posicionamento e o sentido de voto do PCP serão
determinantes”, disse.João
Oliveira informou que o PCP não foi contactado para novos encontros com
o Governo, embora admita que isso venha a acontecer.O
OE2021 tem votação na generalidade marcada para o dia 28 de outubro e
votação final global um mês depois, em 26 de novembro, na Assembleia da
República.Na
proposta de Orçamento do Estado para 2021, entregue na segunda-feira no
parlamento, o Governo prevê para este ano uma recessão de 8,5% e que a
economia cresça 5,4% em 2021 e 3,4% em 2022, “ano em que se alcança um
nível de PIB equivalente ao registado no período pré-crise pandémica”.Segundo
a proposta de Orçamento, também será em 2022 que Portugal voltará a
cumprir as regras impostas por Bruxelas relativas ao défice orçamental,
que deverá atingir 7,3% do PIB em 2020, 4,3% em 2021 e 2,8% em 2022.O
Governo estima que o rácio da dívida pública registe uma melhoria em
2021, passando a representar 130,9% do PIB, depois de atingir os 134,8%
em 2020.Quanto ao desemprego, este ano deverá subir até uma taxa de 8,7%, descendo em 2021 para os 8,2%.