PCP admite acordo pós-eleitoral nos Açores caso não haja maioria absoluta
3 de jun. de 2019, 17:32
— Lusa/AO Online
"Com uma correlação de
forças diferente da atual no parlamento regional [onde o PS tem maioria
absoluta], se calhar é possível, além dos avanços com a força do PCP,
que foram introduzidos agora, no Plano e Orçamento para 2019, avançarmos
mais, naturalmente", admitiu o dirigente comunista, em conferência de
imprensa, na cidade da Horta, na ilha do Faial.Marco
Varela respondia, assim, a uma pergunta dos jornalistas sobre a
possibilidade de um entendimento com os partidos de esquerda nos Açores,
embora tenha feito depender um eventual acordo das conversações
necessárias entre os diferentes partidos políticos."As
contas fazem-se no final", advertiu o líder dos comunistas açorianos,
que manifestou, ainda assim, "abertura para falar com todos" os partidos
na região, após o ato eleitoral.O
dirigente recordou as vantagens que o país teve com a intervenção do PCP
no Governo da República de António Costa nesta legislatura que agora
está a terminar, adiantando que é necessário "aprofundar" esse caminho."A
vida está a provar o quão importante é reforçar o PCP e a CDU para
fazer avançar o país e melhorar a vida dos portugueses", insistiu o
líder regional comunista, adiantando que os eleitores "sabem que
ganharam" com a ação do PCP.Porém,
recordou que “o progresso e o desenvolvimento" verificados em Portugal
nos últimos quatro anos só foram possíveis porque o PS não tinha maioria
absoluta."Não se pode deixar o PS de mãos
livres para prosseguir a política de direita, de que foi um dos
protagonistas nas últimas décadas, também por causa da sua subordinação
às orientações de uma União Europeia que serve, essencialmente, o
capital, perseguindo objetivos de exploração dos trabalhadores e do
povo", advertiu Marco Varela.Os comunistas
açorianos, que estiveram reunidos este fim de semana na Horta, para uma
análise da situação política regional e nacional, voltaram a insistir
na necessidade de serem criados mecanismos de apoio aos ex-trabalhadores
da conserveira COFACO, que foram despedidos na ilha do Pico."Para
o PCP/Açores, é inadmissível que ainda não tenha sido concretizada a
resolução aprovada na Assembleia da República, por unanimidade, relativa
aos apoios aos ex-trabalhadores da COFACO", lamentou o líder regional
do partido.Marco Varela alertou também
para a importância da defesa dos trabalhadores portugueses na base das
Lajes (ilha Terceira), cujos direitos laborais têm sido postos em causa,
e para a necessidade de uma revisão do atual acordo laboral entre os
norte-americanos (que gerem aquela infraestrutura militar),e o Governo
português."Estes trabalhadores continuam
confrontados com um conjunto de questões laborais que põe em causa os
seus direitos, nomeadamente no acesso à justiça e em matéria de saúde e
segurança no trabalho, parentalidade, estatuto de trabalhador-estudante e
da prevenção contra o assédio no trabalho", lembrou o PCP/Açores.