PCP/Açores quer parlamento regional unido sobre revisão do acordo laboral
9 de jan. de 2020, 15:28
— Lusa/AO Online
“Aqui está uma
boa oportunidade para os outros partidos com assento na Assembleia
Legislativa associarem-se a esta proposta, porque, se for uma proposta
aprovada unanimemente, naturalmente terá outra força quando chegar à
República”, afirmou o coordenador regional comunista, Marco Varela.O
dirigente falava, em Angra do Heroísmo, após uma reunião com membros da
Comissão Representativa dos Trabalhadores (CRT) portugueses na base das
Lajes, situada na ilha Terceira, e com dirigentes do sindicato afeto à
CGTP que os representa. O projeto de
resolução do PCP, entregue na Assembleia Legislativa da Região Autónoma
dos Açores, em maio de 2019, propõe que o parlamento açoriano recomende
ao Governo da República “que dê início às negociações do acordo laboral
para a defesa dos postos de trabalho e dos direitos dos trabalhadores da
base das Lajes”.A iniciativa já foi discutida em comissão parlamentar e deverá ser levada a plenário nos próximos meses. Segundo
Marco Varela, está em causa a aplicação da legislação laboral
portuguesa e a garantia de que os funcionários ao serviço das Feusaçores
(forças norte-americanas destacadas nas Lajes) têm “os mesmos direitos
que qualquer outro trabalhador no território português”.“Não
se percebe que os trabalhadores da base das Lajes, por exemplo, não
tenham o estatuto de trabalhador-estudante ou que, por exemplo,
relativamente às matérias de saúde e segurança no trabalho, não seja
igual à legislação portuguesa”, salientou.À
saída da reunião, o dirigente comunista reivindicou ainda a criação de
um “contingente mínimo de trabalhadores portugueses na base das Lajes”,
para “impedir futuros despedimentos, e a introdução de empresas de
‘outsourcing’”, alertando, por outro lado, para a necessidade de combate
à precariedade.“Estamos a falar de um
conjunto de trabalhadores que têm um posto de trabalho efetivo e não têm
um contrato permanente, como deveriam ter e estamos a falar de
trabalhadores que já trabalham na base há alguns anos. Há a necessidade
de regularizar esta situação e criar as condições para esses
trabalhadores efetivamente terem um contrato permanente”, frisou. A
comissão de trabalhadores e o Sindicato dos Trabalhadores das
Indústrias Transformadoras, Alimentação, Bebidas e Similares, Comércio,
Escritórios e Serviços, Hotelaria e Turismo dos Açores (SITACEHT)
denunciaram, no final de 2019, que existiam 13 funcionários com
contratos a termo, há vários anos, ao serviço das Feusaçores, em risco
de deixarem de trabalhar na base.Segundo
revelaram na altura, muitos destes funcionários foram informados de que
os seus contratos não seriam renovados e dois foram dispensados,
incluindo uma trabalhadora a contrato desde 2001 e outro que trabalhava
no local há cerca de três anos.