PCP/Açores quer apoios ao turismo condicionados ao número de trabalhadores no quadro
2 de nov. de 2017, 13:06
— Lusa/AO online
"O que nós propomos é que neste setor, dada a estabilidade
que tem tido e as perspetiva para os próximos tempos, três quartos dos
trabalhadores do setor tenham contratos permanentes e que se faça
depender os apoios a estas empresas muito especificamente desta
situação", adiantou o coordenador do PCP/Açores, Vítor Silva, numa conferência de imprensa, em Angra do Heroísmo. Segundo o dirigente comunista, entre 2012 e 2016, os proveitos do setor do turismo nos Açores
cresceram 40%, passando de 41 para 71 milhões de euros, mas isso não se
traduziu na melhoria de condições de trabalho ou salários. "O
turismo não está, no essencial, a contribuir para a criação de emprego
de qualidade, estável, qualificado e com direitos. Pelo contrário,
multiplicam-se as mais variadas formas de precariedade, baixos salários e
regimes laborais exploratórios, fazendo com que os benefícios do
crescimento deste setor não revertam, na medida em que podiam e deviam,
para o benefício direto dos açorianos e da própria economia regional",
salientou. Vítor Silva realçou que 43% das irregularidades
detetados pela Inspeção Regional do Trabalho (IRT) em 2016 se registaram
no setor do turismo, referentes sobretudo a "horas extraordinárias
intermináveis" e a "trabalho consecutivo durante semanas sem folga". Para
o coordenador regional do PCP, o combate à precariedade deve ser feito
através da recuperação dos contratos coletivos de trabalho, substituídos
por acordos de empresa, mas também da intervenção do Governo Regional
na vedação de apoios a empresas que não ofereçam estabilidade laboral. Por outro lado, o PCP/Açores
defende o aumento da oferta de formação profissional em áreas ligadas
ao turismo e a utilização dos programas ocupacionais como programas de
formação para desempregados de longa duração. "Os Açores
continuam a ser a região do país em que, em média, os trabalhadores
ganham menos do que em qualquer uma parte do território nacional. E se
nós queremos inverter este ciclo, do ponto de vista social e económico, o
primeiro passo tem de ser a valorização e qualificação dos
trabalhadores e, ao mesmo tempo, pagar salários justos e dignos",
frisou. O dirigente comunista propôs ainda a revisão do Plano de Ordenamento Turístico da Região Autónoma dos Açores
(POTRAA), com uma ampla discussão pública, alegando que é necessário
garantir "a adequação dos equipamentos e da oferta turística da região,
compatibilizando-a com a proteção ambiental e a qualidade do destino". "O
crescimento desregulado do setor do turismo comporta riscos relevantes
no aspeto da dependência de fatores externos, para lá do controle da
região, bem como do crescimento das assimetrias e desequilíbrios
regionais", alertou. O único deputado do PCP/Açores
no parlamento açoriano, João Paulo Corvelo, vai apresentar, entre
outras, as propostas hoje defendidas, no âmbito da discussão do Plano e
Orçamento da Região para 2018, que decorrerá entre 28 e 30 de novembro.