PCP/Açores pede suspensão da privatização das empresas SEGMA e Global EDA
Hoje 17:46
— Lusa/AO Online
“Eu
acho que [o executivo regional] está sempre a tempo de suspender esta e
toda a linha de privatizações que pretende fazer na região”, disse à
agência Lusa o coordenador do PCP açoriano, Marco Varela, no final de
uma reunião com o Sindicato das Indústrias Elétricas do Sul e Ilhas
(SIESI) para abordar as perspetivas de privatização das empresas
regionais SEGMA - Serviços de Engenharia, Gestão e Manutenção e Global
EDA - Telecomunicações e Gestão de Sistemas de Informação.Segundo
o dirigente, se o Governo Regional liderado pelo social-democrata José
Manuel Bolieiro governasse “para a maioria e para os interesses da
região e dos açorianos, suspendia esta e qualquer outra privatização,
porque empresas estratégicas para o desenvolvimento da região têm de ser
públicas e [estar] ao serviço da região”.No
final do encontro, realizado na sede da União de Sindicatos de São
Miguel e Santa Maria, em Ponta Delgada, Marco Varela admitiu que as
empresas têm “de se estruturar”, admitindo que “qualquer uma delas pode
ser viável”.O Governo dos Açores aprovou,
em novembro de 2025, uma resolução que autoriza as empresas EDA e EDA
Renováveis, a iniciar o procedimento de alienação das participações
sociais detidas na SEGMA e na GlobalEDA.Hoje,
o líder regional do PCP nos Açores, referiu que entrou para a reunião
com o SIESI com “algumas preocupações” e saiu dela “ainda com mais,
porque, infelizmente, está em curso a privatização de duas empresas” e
“está em causa a vida suspensa de 120 trabalhadores, que não sabem qual
será o seu futuro”.“O que sabemos do
Governo Regional é que as empresas são para privatizar e tudo o que é de
informação, de envolvimento dos principais protagonistas, que são os
trabalhadores, pouco se conhece ou nada”, disse.Depois
de referir que os trabalhadores querem defender os seus postos de
trabalho e o futuro das duas empresas, que “são estratégicas para a
região”, colocou duas questões sobre a sua importância para os Açores.A
primeira é relativa à recuperação do Hospital do Divino Espírito Santo
de Ponta Delgada, que foi atingido por um incêndio no dia 04 de maio de
2024: “Se não tivéssemos uma [empresa] SEGMA pública, com capacidade de
‘know-how’ para pôr a funcionar o hospital, seria uma empresa privada
que ia dar essa resposta de imediato?”, perguntou.Focou,
depois, um segundo aspeto: “Tudo o que é manutenções e comunicações da
Proteção Civil está ligado a uma [empresa] Global EDA. E, em termos de
futuro, como é que a gente fica?”.“São
estas questões que têm de ser esclarecidas por parte do Governo
[Regional] e […] qual o motivo para a privatização destas empresas”,
afirmou Marco Varela.O coordenador do
PCP/Açores disse que o partido vai continuar a acompanhar a situação
relacionada com a privatização, recordando que os trabalhadores já
demonstraram com uma ação de luta a “determinação e confiança” na sua
viabilidade e têm a circular uma petição que reúne “umas centenas de
assinaturas”.“Iremos fazer tudo o que
estiver ao nosso alcance para a salvaguarda destes postos de trabalho e
destas duas empresas estratégicas”, concluiu.Em
janeiro, o presidente do Conselho de Administração da Empresa de
Eletricidade dos Açores (EDA) apelou à tranquilidade dos cerca de 135
trabalhadores da GlobalEDA e da SEGMA, empresas do Grupo EDA, que o
Governo Regional decidiu alienar.Segundo
Paulo André, os 77 funcionários da GlobalEDA e os 58 da SEGMA sabem que,
apesar da alienação que já está em curso, “há perspetivas de haver um
relacionamento de negócios” entre aquelas empresas e o Grupo EDA, no
futuro.