PCP/Açores faz balanço negativo de mandato do PS
10 de set. de 2020, 18:34
— Lusa/AO online
Numa declaração política no
parlamento regional, na cidade da Horta, o deputado único do PCP, João
Paulo Corvelo, defendeu que as ilhas mais pequenas da região têm sido
"ao longo dos anos votadas ao abandono e "as políticas necessárias ao
seu desenvolvimento e à fixação das populações não têm na maioria das
vezes passado de boas e piedosas intenções".No
campo da saúde, e depois de elogiar o Serviço Regional de Saúde e o seu
"riquíssimo capital humano", o comunista lamentou as políticas do
executivo regional socialista nas seis ilhas açorianas sem hospital."Ainda
recentemente fomos alertados por um doente das Flores que, sendo
suspeito de padecer de algum problema grave a nível intestinal, se
encontra há largos meses à espera de ser visto por um gastrenterologista
e lhe ser, no mínimo, efetuado o diagnóstico do seu problema", declarou
o deputado, eleito pelas Flores, que sustentou que não vai um
gastrenterologista à ilha há dez meses.João
Paulo Corvelo lembrou ainda a importância de a transportadora aérea
SATA ter sido mantida na esfera pública: "Será que ainda existem ou
persistem dúvidas que não fosse a SATA uma empresa pública regional
teria sido possível implementar, utilizando o transporte aéreo como
arma, medidas efetivas e eficazes de combate à pandemia?", questionou.Na
resposta, o secretário do executivo com a tutela dos Assuntos
Parlamentares, Berto Messias, definiu a declaração política do PCP como
feita ao estilo de "metralhadora rotativa"."Uma
abordagem séria do ponto de vista económico e social demonstra
claramente que a Região Autónoma dos Açores que tínhamos em março de
2020 era claramente uma região melhor que aquela que tínhamos em
novembro de 2016", aquando da formação do atual governo, afirmou.A
pandemia de covid-19 "assolou um conjunto de indicadores", reconheceu o
governante, que acusou o comunista de se contradizer no campo da saúde,
ao falar em desinvestimento na área."Se isso fosse verdade, o Serviço Regional de Saúde não teria respondido como respondeu à pandemia", declarou."Serenamente aguardaremos o julgamento do povo açoriano no próximo dia 25 de outubro", acrescentou.O
parlamentar do PSD Bruno Belo, também eleito pelas Flores, criticou a
"grande desigualdade" nos Açores, em que "cada ilha caminha à sua
velocidade", sem ser cumprido o "desígnio principal" da coesão
territorial, "cada vez mais uma miragem"."Os
erros e as fragilidades seguramente não são só de um mandato. São erros
e fragilidades de 24 anos de poder político socialista", afirmou.Mais
à direita, o CDS, pelo seu líder, Artur Lima, lamentou que continue a
não haver médicos de família para "todos os açorianos após 24 anos do
PS" no poder.Para o centrista, o executivo
e os socialistas são ainda culpados por "terem deixado escapar dezenas e
dezenas de jovens médicos açorianos que estão no continente e na
Madeira e não tiveram lugar para exercer na sua terra".Artur
Lima reiterou ainda críticas às administrações das unidades de saúde da
região, "incapazes e incompetentes", e de quem o executivo se serve
para recorrentes "danças de cadeiras".Já o
PPM, pelo deputado único do partido, Paulo Estêvão, elogiou a atuação
do comunista João Paulo Corvelo ao longo dos quatro anos de mandato
parlamentar."Tenho a certeza que o senhor
colocou sempre o interesse da ilha das Flores ao de cima. A sua lealdade
foi absoluta com a população que jurou defender", acrescentou o
monárquico, antes de criticar o executivo socialista pela "ausência de
políticas para o desenvolvimento económico" das ilhas mais pequenas da
região, como as Flores e o Corvo (por onde Estêvão é eleito).À
esquerda, o deputado do Bloco Paulo Mendes abordou um tema que "tem
sido caro" ao partido, o funcionamento do Serviço Regional de Saúde,
lembrando exemplos "concretos" de pessoas afetadas por consultas adiadas
ou outras perturbações neste campo."Os
problemas não se encontram única e exclusivamente nos utentes do Serviço
Regional de Saúde das ilhas maiores e com hospital [São Miguel,
Terceira e Faial]. (...) O que dizer dos utentes que residem nas ilhas
menos populosas, com serviços de saúde mais fragilizados? Esses utentes
ainda mais problemas têm", considerou o bloquista.Já
o PS, que suporta o executivo, questionou o PCP sobre o "balanço que
fez" dos últimos quatro anos, uma "profunda deceção", advogou o deputado
José San-Bento."Temos tido uma política
de coesão territorial, que aposta em infraestruturas, e a sua ilha
[Flores] tem sido uma aposta clara", prosseguiu, lembrando as obras no
porto das Lajes das Flores, destruído com a passagem, no ano passado, do
furacão Lorenzo. "Somos os campeões do
emprego no país", prosseguiu, acrescentando o que foi feito na sequência
da pandemia em campos como a preservação de emprego e a integração de
trabalhadores precários.Os Açores vão a
eleições em 25 de outubro e o parlamento regional está esta semana
reunido em plenário pela última vez antes do sufrágio.