PCP/Açores critica atraso na majoração de apoios sociais na ilha do Pico
18 de mar. de 2019, 15:28
— Lusa/AO Online
“Passado este tempo todo, este
programa ainda não foi implementado. Estamos a falar de uma iniciativa
que mereceu unanimidade na Assembleia Legislativa regional, uma
iniciativa que mereceu unanimidade na Assembleia da República, mas que,
no entanto, ainda não foi posta em prática”, adiantou, numa conferência
de imprensa, em Angra do Heroísmo.Em causa
está uma resolução aprovada por unanimidade na Assembleia da República e
publicada em Diário da República em 08 de agosto de 2018, que
recomendava ao Governo a criação de um regime especial e transitório de
facilitação do acesso, majoração do valor e prolongamento da duração de
apoios sociais aos trabalhadores em situação de desemprego na ilha do
Pico, onde a conserveira Cofaco, dona do atum Bom Petisco, despediu
cerca de 160 funcionários, em maio.Pelas
contas do PCP, o encerramento da fábrica de conservas teve um impacto de
4,3% no emprego direto e indireto na ilha do Pico e de 8% no concelho
da Madalena, o que já se reflete na economia local.“Esta
medida era importante porque garantia que durante um espaço de tempo
não houvesse perda de rendimento, não houvesse perda de poder de compra
destes trabalhadores. Beneficiava os trabalhadores, mas beneficiava
também a economia da ilha do Pico. Permitia que os empresários tivessem
um espaço em que se pudessem adaptar para que o impacto fosse menor”,
frisou Vítor Silva.O PCP tentou integrar a
medida no Orçamento do Estado para 2019, mas a proposta foi chumbada
por PS e PSD, e no início deste mês questionou, por escrito, o ministro
do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social sobre o atraso. “Esta situação desacredita infelizmente a política e os políticos”, sublinhou o dirigente regional do partido.Na
apresentação das conclusões de uma reunião da Direção da Organização da
Região Autónoma dos Açores do PCP (DORAA), realizada este fim de
semana, Vítor Silva alertou para a necessidade de haver uma maior aposta
do executivo açoriano em políticas de coesão regional.“As
políticas de coesão têm de regressar à agenda política regional e
constituir-se como uma prioridade ao longo dos próximos anos. Os
transportes marítimos e aéreos, com baixos custos, bem como a criação de
um pujante mercado interno são dois pilares nos quais devem assentar as
políticas de coesão. A proximidade às populações e a qualidade dos
serviços públicos devem ser, igualmente, um pilar social que garanta a
fixação e a atração de populações”, apontou o dirigente comunista.O
PCP/Açores defendeu igualmente a criação de um “programa efetivo de
políticas públicas de emprego”, alegando que a redução da taxa de
desemprego na região é fruto sobretudo de medidas nacionais, bem como o
“real combate à precariedade laboral” e a “promoção de políticas
salariais justas”.Os comunistas vão voltar
a propor na Assembleia Legislativa o aumento do acréscimo regional ao
salário mínimo nacional, de 5 para 7,5%, por considerarem que o aumento
de rendimentos é a principal reivindicação dos trabalhadores açorianos.Entre
outras medidas, o PCP vai propor ainda o aumento do complemento
regional de pensão, a eliminação de taxas moderadoras, a diminuição da
taxa mais elevada de IVA (Imposto sobre o Valor Acrescentado) de 18 para
16% e a reformulação dos programas ocupacionais.